No outro dia estava dirigindo lá perto do meu trabalho, lá vinha uma menina de no máximo 15 anos, andando sozinha numa rua meio que deserta, dessas que só passa carro.
Vi que o carro a minha frente foi diminuindo a velocidade até parar bem pertinho aonde a menina andava. O cara ía sozinho no carro, se inclinou para falar algo pra ela. Ela não olhou pra ele e continuou andando. Fiquei de orelha em pé, prestando atenção.
Ele voltou pra pista, dirigindo bem devagarzinho e foi procurar um lugar para fazer a retorno e voltar até a menina.
Imediatamente, não tive dúvidas, me apressei a fazer o retorno também, rapidamente para chegar à menina primeiro que ele. Ele notou e ficou me olhando. Eu encarei bem ele, olhando bem na cara dele, pra ele saber que eu tinha notado.
Corri e parei próximo aonde a menina continuava a andar. Vi que ela chorava muito. Perguntei
- Excuse me, aquele cara disse alguma coisa pra você? Ele te encomodou?No que ela respondeu.
-
Não, ele é o meu pai.Pois é, parece que ela brigou com o pai e fugiu de casa. Que alivio! Pois vi que o homem já parava o carro bem atrás de mim. O meu coração batia forte. Fui explicar pra ele que voltei porque pensei que ele fosse um estranho querendo fazer mal pra ela. Imagina se eu ía deixar uma coisa dessas acontecer bem na minha frente.
Fui contar pra minha mãe e ela falou "
que loucura, se ele estivesse lá pra fazer mal, ele poderia estar armado"O que eu mais vejo na tv aqui é Amber Alert, moças e crianças sendo sequestradas o tempo todo. Não na minha frente, isto é certeza, viu
Uma vez logo quando eu casei e me mudei pra cá, eu estava no ponto de ônibus esperando pegar o ônibus pra ir pra casa. Era verão, eu usava short e camiseta. Vi um cara só me observando. Eu usava óculos escuros e vi com o rabo do olho que ele não tirava os olhos de mim. Ele atravessou a rua e entrou num carro, mas não saiu. Notei que ele olhava pra mim pelo retrovisor. Fiquei cismada.
O ônibus estava demorando muito. Então resolvi caminhar na direção oposta pra ir pegar o ônibus numa outra parada. Pensei que tinha me livrado.
Pra minha surpresa, assim que eu desci do ônibus pertinho da minha casa, lá estava o cara de novo. Ele seguiu o ônibus para ver aonde eu ía descer. O meu coração disparou. Atravessei a rua correndo e entrei num salão de beleza que tinha na esquina lá da minha casa. Não entrei nem na minha rua pra ele não saber aonde eu morava. Não deu tempo de pegar nem a placa, ele deu no pé.
Ele queria o que? Me sequestrar, não era não? Morri de medo. Nem um celular eu tinha na época. Lembro que não botei os pés do lado de fora de casa sozinha por mais de uma semana. Paul tinha que me levar pra todo canto.
Eu ando antenada nos cantos. Garotas, Antenas ligadas, viu! Ligadíssimas! Seguro morreu de velho.