quarta-feira, agosto 15, 2007

Eu falo com sotaque, sim senhor

Americano tem essa mania infeliz de achar graça em sotaque estrangeiro. De vez em quando me aparece um que acha ok rir na minha cara de uma palavra qualquer que eu falei porque aquela palavra não soa aos ouvidos dele como inglês perfeito. E porque são eles os americanos e não eu, se acham no direito de criticar.

Nem que sejam meus amigos e que não estejam fazendo com más intenções, eu não gosto. Não gosto que achem graça nem que seja com a desculpa de que acham bonitinho. Existe uma linha fininha que separa isso da falta de respeito.

Não riam na minha cara porque o som do meu TH de vez em quando não sai exatamente por entre os dentes.
Não comentem que o meu M as vezes sai com um som de N, ou o meu L pode sair com um som de U.
Eu falo com sotaque porque eu não sou americana. E eu tenho orgulho do meu sotaque. É parte da minha personalidade, das minhas raizes. Eu nao nasci aqui.

Acho as vezes até irônico que um povo que não goste muito de aprender outras línguas, ou sobre outras culturas, ache graça no meu sotaque. Eu sou bilingue. E aprender e dominar uma língua estrangeira não é nada fácil.
As mesmas pessoas que acham graça do meu sotaque, também são aquelas que se referem à música The Girl of Ipanema, como The Girl of Ipanima. Ou não conseguem, por mais que se esforcem a dizer São Paulo, com aquele som nasal que o AO faz. E eu não ando por aí consertando ninguém porque eu entendo que português não é a língua deles.
Do meu marido eu até escuto, se bem que quando ele vem dar uma de me consertar, eu mando ele falar a palavra mágica OTORRINOLARINGOLOGISTA primeiro.

Porque o meu inglês tem 31 anos de prática e anda muito bem, obrigada, mas eu falo com sotaque sim, e estamos conversados.

quinta-feira, agosto 09, 2007

30 anos sem o Rei



Este mes faz 30 anos que o Elvis Presley morreu (em 16 de Agosto). Não são muitas pessoas que sabem, mas eu ADORO Elvis. Me lembro como se fosse hoje, sentada nas escadas lá de casa na hora de subir pra dormir, espiando o Jornal Nacional anunciando a morte do Elvis. Eu tinha 8 anos, e até então nunca tinha notado ele. Mas aquele homem bonitão na televisão, com aquele vozerão todo, e o auê que a morte dele causou no mundo todo me impressionou. Passei a prestar atenção.

As vezes, quando estou dirigindo para o trabalho, eu coloco o meu rádio satélite no canal Elvis (24 horas de Elvis, todos os dias). Vou dirigindo ouvindo as músicas dele pra fugir da mesmice.

Elvis era um cara estranho apesar de tudo. Perdeu a mãe muito cedo, com quem ele tinha uma conexão muito grande, ficou meio perdidão depois disso. Tomava remédio pra dormir e depois remédio pra acordar. Os médicos davam as prescrições todas que ele pedisse. Também fazer o que? Dizem que Elvis passava assim numa concessionária e comprava uns 10 carros de uma vez pra dar de presente pra quem ele queria. O povo tirava a maior vantagem, e ninguém nunca dizia não pra ele.

Virou o Rei do Rock ainda novinho, ficou mimado, mal acostumado, tinha muita gente pra cuidar dele. A mulherada do mundo todo dando em cima. Aquilo tudo deve ter pirado com a cabeça do cara. Mesmo assim, o amor da vida dele sempre foi a Priscilla. Ela tinha 14 anos quando os dois se conheceram, ele já estava na faixa dos 20. Mas ele esperou ela atingir a maioridade para casar com ela. O casamento terminou em divórcio, Priscilla não suportou as escapadas do marido e todas aquelas mulheres dando em cima o tempo todo.

Nos seus últimos anos, ja fora de forma, cansado, doente, nunca parou de fazer shows. Esquecia a letra das músicas, inventava, ninguém nem se importava. Lotava todos os shows e a mulherada se esgoelava de gritar, não estavam nem aí.

Morreu aos 42 anos de um ataque cardíaco. Super acima do peso, viciado em remédios, sem cuidar da saude (comia diariamente sanduiches fritos na manteiga de banana com pasta de amendoim). O coração não aguentou o tranco.

Alguns fatos interessantes -
Elvis era na verdade loiro, e pintava o cabelo de preto porque achava que ficava melhor.
Elvis tinha um irmão gêmeo que já nasceu morto
Elvis só deu concertos nos Estados Unidos e Canada. Nunca cantou em nenhum outro país além desses.
Enquanto vivo, Elvis doava dinheiro anualmente para mais de 50 instituições de caridade. Todas as doações eram mantidas em total sigilo.
Elvis era caipirão do Tennessy, foi motorista de caminhão antes de ficar famoso.
De acordo com Forbes.com, Elvis é uma das celebridades mortas mais bem pagas da história, juntamente com Kurt Kobain and Charles Schulz (o criador de Peanuts).
Elvis adorava Las Vegas, até casou-se lá. A cidade passou a ser praticamente a Capital Mundial dos "Elvis" depois da sua morte, quando foi tomada pelos seus imitadores. Hoje em dia é possível até ser casado por um Elvis em uma daquelas capelas de casamento instantâneo.

"Before Elvis, there was nothing"
John Lennon

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