quinta-feira, setembro 29, 2005

O que não se aprende na escola

Eu comecei a estudar Inglês quando tinha 8 anos de idade. Na época era o que? O Jardim da Infância do Inglês, talvêz? A gente sentava em roda aprendendo "ABC", "Bingo is his name", "Deep in the heart of Texas", entre outras musiquinhas de roda.
Antes de me mudar para os Estados Unidos, antes mesmo de conhecer o meu marido, sempre fui fascinada com a língua. Andava com o meu dicionário pra cima e pra baixo expandindo meu vocabulário. Pra todo canto que eu ía, o meu dicionário ía também. O danado era todo emendado com fita durex (eita, fazia tempo que não usava este nome, durex), de tão folheado que ele era. Vivia traduzindo música o tempo todo, porque era uma maneira divertida de estar sempre aprendendo. Entrava nos clubes de correspondência para praticar a língua com outras pessoas, e ao mesmo tempo conhecer gente de outros países. Estou falando de uma época aonde a gente escrevia carta a punho mesmo, com papel e caneta, nada de internet! Apesar de que a Internet facilita muitão, era mais divertido daquele jeito. Havia toda aquela antecipação de receber uma carta, abrir um envelope, checar a letra da pessoa, era muito mais pessoal.
Uma vez uma amiga da minha mãe viajou para os Estados Unidos, e eu encomendei pra ela o filme Dirty Dancing, porque ainda ainda não tinha chegado em vídeo no Brasil. Perdi as contas de quantas vezes assisti aquele filme, porque eu ficava praticando o meu inglês com ele, já que não era legendado. Filme legendado é o tipo da coisa, por mais que você não queira ler, é quase impossível de evitar. Daí a distração termina sendo maior.

Com tudo isso, só vim dominar a língua pra valer depois que me mudei para cá. Me lembro da minha frustração assim nas primeiras semanas, ao me deparar com o fato de que ao vivo e a cores, tinha muitas coisas no idioma que eu ainda tinha que aprender.
Começando pelo sotaque. Porque inglês de cursinho, ensinado quase sempre por professor brasileiro, com sotaque português, é diferente de inglês falado por americano, com sotaque carregado da região. E de repente até meu nome não era mais como eu estava acostumada. E aqui ao invéz de LAURA, eu sou LOURRRAH, e dependendo da pessoa, até viro LHOURRAH!
Além de sotaque, tinha também as gírias. Nunca tinha ouvido falar em Dude (gíria para cara, se alguém estiver matutando) antes, por exemplo. Ou dinheiro, aonde BUCKS substitui DOLLARS muitas vezes.
Daí vinham as expressões locais, que puxa, por incrivel que isso possa parecer, também nunca havia aprendido no cursinho de inglês. E por aí vai.

Nos primeiros meses, meu marido saía para trabalhar, e eu ficava em casa sozinha, fazendo as vezes de dona de casa. Assistia muita tv americana, os péssimos programas matinais que eles aqui empurram goela abaixo da dona de casa (só nunca assisti novela americana, porque existe um limite pro que eu aguento). Mas a tv me ajudou bastante a pegar os nuances da língua.

Daí eu ficava me lembrando de uma coisa que quase todos os professores de inglês que tive na vida gostava sempre de repetir - Aprenda a pensar em inglês. Você só dominará a língua quando puder pensar em inglês - E já teve um tempo quando eu não entendia essas palavras.
Mas agora eu entendo perfeitamente, e faz todo o sentido do mundo. Porque um erro que muitos estudantes cometem, é o erro da tradução ao pé da letra. Ao invêz de entender o significado geral da expressão, eles traduzem palavra por palavra, e quando fica tudo junto, não faz sentido algum.

Eu vejo os conterrâneos que aqui moram. Moram com brasileiros, trabalham com brasileiros, os amigos são brasileiros. E reclamam que não conseguem dominar a língua. Ora, se pra mim que tive anos de estudo antes de chegar aqui, foi complicado. Imagine então os que chegaram aqui sem nunca sequer ter pisado num curso de inglês antes. E ainda por cima para só para conviver com os brasileiros.. A escola é nada mais que uma base. Daí então é necessário praticar, praticar, praticar..

**
As coisas que não fazem sentido quando traduzidas ao pé da letra:

Pocket Book - Traduzido ao pé da letra, livro de bolso. O que realmente significa, bolsa (de mulher, dessas de carregar no ombro, mesmo).
To a T - Este vai ser sempre uma das expressões americanas mais curiosas na minha opinião. Tradução ao pé da letra , para um T. O que realmente significa, Exatamente.
Workout - Traduzido ao pe da letra, Trabalhar fora. Neste caso, com as duas palavras juntinhas, o que realmente significa, exercício, ginástica.
Cut it out/Knock it off - Traduzido ao pé da letra, cortar para fora/derrubar fora. O que realmente significa, Parar de fazer algo.
Crack me up - Traduzido ao pé da letra, me partir. O que realmente significa, me fazer rir
Wear out - Traduzido ao pé da letra, vestir fora. O que realmente significa, causar cansaço
Piece of cake - Traduzido ao pé da letra, pedaço de bolo (alias, é isto mesmo que significa se dito apenas assim). Mas quando usado como expressão, significa uma coisa que é fácil, mamão com açúcar, como disse a Flávia
Actually - Cuidado com o perigo, lendo assim, parece muito com o portugues atualmente. Na verdade, significa Na Verdade
Pretend - E la vem mais outra, que parece que é, mas não é. Parece que é pretender. Na verdade significa fazer de conta.
Out of the Blue - Fora do azul, seria a tradução ao pé da letra. Na expressão, significa quando uma coisa, ou pensamento, ou ação surge do nada, inexperadamente.

Um comentário:

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