domingo, novembro 27, 2005

Todo final de ano aqui nos Estados Unidos, alguém inventa algo destinado a se tornar o ítem mais requisitado da temporada. E se forma um certo auê em torno de tal ítem, que antes mesmo de chegar as lojas, as pessoas já estão aguardando sua chegada anciosamente, e fazendo reserva, e tentando comprar com antecência. Daí, tal ítem desaparece das prateleiras logo no primeiro dia de venda, e depois disso, pelo mês de Dezembro inteirinho só é possível encontrá-lo em Ebay, com preços super salgados, pois algum maluco (provavelmente sentado lá em Wichita, KS) pensa que esta será sua única chance, e eleva o preço nas alturas na guerra de bids.

Me lembro que foi assim com o Tickle Me Elmo, bonequinho Elmo, que dava risadinhas quando apertávamos sua barriga. Assim também foi com o Xbox. Este ano tem um tal de Xbox 360, que mal chegou as prateleiras, já está com vendas esgotadas. E Dezembro ainda nem começou.

É que a temporada de compras aqui começa logo depois do Dia de Ação de Graças, com as pessoas indo fazer a digestão do peru nas filas das lojas, pra esperar a loja abrir as 5 da matina. E quando aquelas portas se abrem, valha-me Deus, que é como se a boiada estivesse sendo liberada do curral. O povo está disposto a passar uns por cima dos outros, e trocar socos dentro da loja por causa de um dvd player. Porque, você sabe, não é como se as lojas estivessem abarrotadas deles, a precinho de banana!..

O ítem deste ano, tenho pra mim que é o tal do Idog. Alguém já viu o Idog? Vou confessar que estou achando super lindinho, e super tentada a ir correndo acotovelar o povo nos shopping centers a procura de um, depois de brigar com meia dúzia lá fora por ter ousado tentar roubar minha vaga de estacionamento. Afinal, como diz a musica, it's the most wonderful time of the year!

O Idog funciona assim - Vem com alto-falantes embutidos nele, e quando conectado (à cabo) ao seu stereo, ou computador, ou o que for, ele toca a música pra você, e dança ao rítmo dela, enquanto luzinhas coloridas piscam na sua frente.
Custa $24.99 e já está com vendas esgotadas em certos lugares. Não é lindinho?



terça-feira, novembro 22, 2005

Happy Thanksgiving!


Pintura de Jean Louis Gerome Ferris, 1863-1930

Hoje é Thanksgiving aqui nos Estados Unidos (o que traduzimos no Brasil por Dia de Ação de Graças). E enquanto o meu peru está no forno, eu venho aqui dar uma desopilada da trabalheira, e conversar um pouquinho à respeito desta tradição, que para os americanos é tão importante quanto o Natal.

O pouco da estória que eu sei (e vou confessar que não sou lá muito boa em História Americana), conta que a tradição do Thanksgiving deu início com a chegada dos Peregrinos Ingleses aos Estados Unidos em 1621, e formaram uma colônia aqui mesmo em Massachusetts, na região de Plymouth. Depois do primeiro ano de colheta, os colonos se juntaram aos nativos, os índios Wampanoag para celebrar a colheta e dar preparação para o início do inverno. Esta é mais ou menos como as coisas são ensinadas na escola, mas existe o lado controverso que conta como os colonos roubaram as terras indíginas, etc (assim parecido como foi também no Brasil).
Para um povo que dependia 100% da sua colheta, dar graças pela comida colocada na mesa, e pedir por um inverno menos rigoroso, e sorte nas futuras colhetas, era uma coisa corriqueira. E assim, dizem, começou a tradição.

Thanksgiving é celebrado com uma mesa farta, e os alimentos tradicionais encontrados sempre são, o peru, purê de batatas, batata-doce, cranberries (uma frutinha típica de Massachusetts), torta de abóbora, torta de maçã.. Mas no passado, a comida era menos sofisticada. A ceia era formada por peixes, frutas e verduras, peru, milho. O leite era apenas o de cabra. E o molho de cranberry que é preparado hoje, na época não existia. Eles comiam apenas as frutinhas, coisa que fica difícil até de imaginar, já que o cranberry é muito amargo.
Plantações de cranberries são fartamente encontradas em Cape Cod, MA. Estas frutinhas vermelhinhas, bonitas de ver, não são fáceis ao paladar. O melhor jeito de prepará-las e jogá-las na água com açúcar, talvéz umas casquinhas de laranja, e deixá-as cozinhar até formar um doce. Também são vendidas enlatadas, mas preparadas fresquinhas ficam muito mais gostosas, e é bem facinho de fazer.

Anyways, os Peregrinos Ingleses fizeram a viagem até aqui no barco Mayflower. A intenção era chegar ao Estado da Virginia, mas acabou ancorando em Cape Cod, Massachusetts.

Um ponto turístico muito legal a ser visitado nesta época do ano, é Plymouth, MA, uma réplica da vila dos peregrinos como era na época em que eles chegaram aqui. La também você pode visitar o Mayflower II, uma reprodução exata da embarcação Mayflower, que trouxe os ingleses à América no século 17. E é claro, você pode escolher ter sua ceia de Thanksgiving por lá mesmo. Mas tenha o cuidado de fazer as reservas com bastante antecedência, pois a ocasião é bastante disputada.

Mayflower II, ancorado em Cape Cod

Hoje em dia, as familias se reunem ao redor da mesa farta, comem, dão graças pelo ano que está quase acabando, e depois fazem a digestão em frente da tv, assistindo ao Macy's Thanksgiving Day Parade, em Nova York, ou muito futebol americano. Mais americano que isto, impossível.
E aí, amanhã começa oficialmente a temporada de Festas de Final de Ano por aqui, com o chamado Black Friday, o dia que os americanos saem para as compras de Natal. Este dia é uma verdadeira loucura, com o trânsito bastante pesado, as lojas abarrotadas de gente, as brigas por vagas de estacionamento nos shopping centers.. A competição pela freguesia é bem acirrada por parte do comércio. As loja pegam pesado, umas chegando a abrir suas portas as 5 da matina, com descontos incríveis, que você só vai ver mesmo este dia do ano. Então, em termos, em materia de economizar nas compras de natal, vale a pena. Mas vá munido de bastante paciência, e sapatos confortáveis.
O dia tem até website, para informar a população dos descontos, divididos por lojas, entre outras dicas valiosas. Para visitar a website, é só clicar neste link - Black Friday 2005
E para terminar, eu gostaria de agradecer pelas amizades que este blog me proporcionou este ano, pelos comentários gentis, pelas visitinhas de todos vocês.
Neste dia também agradeço pela minha família, pelo ano que foi bom, pela oportunidade de um emprego melhor para mim, pela minha casa, e pela minha visita ao Brasil no final do Ano. Agradeço pela minha família que está lá, pelo carinho deles em preparar coisas tão especiais para a nossa chegada, pelo amor incondicional!
HAPPY THANKSGIVING, EVERYBODY!

segunda-feira, novembro 21, 2005

Outra de Nordestino

Desculpa, mas eu adorei este texto. So de festa, e também pra encher linguiça, pois tô com falta de tempo de escrever algo mais pensado e elaborado, vou colocando este aqui.


Quem é nordestino, entende

Botão é pitôco
Se é miúdo é pixototinho
Se é resto é cotôco
Tudo que é bom é massa
Tudo que é ruim é peba
Rir dos outros é mangar
Se é franzino é xôxo
O bobo se chama leso
E o medroso chama frouxo
Tá estranho tá tronxo
Vai sair diz vou chegar
Cabra sem dinheiro é liso
Pernilongo é muriçoca
Chicote se chama açoite
Quem entra sem licença emburaca
Sinal de espanto é vôtes
Se tá folgado tá folote
Se a calça tá curta tá pega-bode
Quem tem sorte é cagado
Quem dá furo é fulero
Sujeira de olho é remela
Gente insistente é pegajosa
Agonia é aperreio
Meleca se chama catota
Gases se chamam bufa
Catinga de suor é inhaca
Mancha de pancada é roncha
Palhaçada é munganga
Desarrumado é malamanhado
Pessoa triste é borocoxô
É mesmo é Iapôis
Correr atrás de alguém é dar uma carrera
Passear é bater perna
Fofoca é babado, resenha
Estouro se chama pipôco
Confusão é rolo
É assim mermo visse? Eita troço arretado

É verdade, e eu falo isso ai tudinho! hehehe!!!

domingo, novembro 20, 2005

Natal de cabeça pra baixo

Americano tem cada uma! Olha só a novidade deste ano. Árvore de Natal de cabeça pra baixo!

Esta tem o stand no chão e custa na faixa de $299.99-$499.99

Já esta, pendura no teto, e custa $280.00

Se estão achando que esta novidade maluca e super cara não vai pegar, já pegou. Ambos os modelos mostrados acima já estão com vendas esgotadas em certos lugares, como no online catalog do Christmas tree for me .

Lojas como Target, estão faturando uma fortuna com a venda deste tipo de árvore, cujos preços chegam à até $600.00

Dizem que o motivo é oferecer maior espaço embaixo da árvore para presentes. Não sei, mas que é exquisito, ah isto é.
Eu prefiro minha arvorezinha tradicional mesmo.

quarta-feira, novembro 16, 2005

Curtas

Sabado eu tive dentista marcado pela manha. Nao adianta quantas vezes eu vou ao dentista, eu nunca vou me acostumar com a massada que eles dao na gente. Pra que marcar hora? Eles nao seguem o proprio horario! Sei que este povo eh ocupado, mas eu tambem tenho as minhas obrigacoes, nao eh mesmo? Entre o tempo que esperei na saleta de espera, e o tempo que esperei com a bunda sentada na cadeira de dentista, puxa vida, teria dado pra eu ir no supermercado fazer as compras e voltado! Sem nem exagerar! E tambem nao entendo porque eles movem voce da sala de espera pra cadeira, e nao estao prontos pra te atender. Pelo menos na sala de espera eu estava lendo revista. Na cadeira de dentista, fiquei olhando pro teto!

O resultado desta estoria eh que sai de la com um canal iniciado, e a boca dormente. Ele me passou Vicodin pra dor (just in case!). Tentei ficar no Advil, tentei. Mas quando passou o efeito do novocaine, a dor tava de lascar! La vai Paul pra farmacia comprar o Vicodin pra mim.
O remedinho danado de bom! Alguem ja tomou? So eh vendido sobre prescricao, e eu entendo como o povo acaba viciado nessas coisas. Depois de tomar vicodin, o mundo todo pode se acabar la fora, voce nao esta nem ai. Terminei nao fazendo nada que tinha pra fazer, e ficando em casa no vicodin. O meu sabado a noite foi em frente da tv, assistindo besteira, tomando sparkling cider (que eh imitacao de champagne, sem alcool), e viajando no vicodin. hehehe!!! Eu recomendo!

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Meu Paulzinho aporrinhou o pai para ir comprar o filme Madagascar hoje de manha, que acaba de sair em DVD. Eu to no trabalho (no horario de almoco, se alguem esta matutando). Eu ligo la pra casa pra falar com Paul. Ele atende o telefone, so o que eu ouco eh a musica vinda la da sala
I like to move it, move it! I like to move it, move i!" E Paulzinho cantando. O meu marido diz pra mim "I created a monster!" Paulzinho esta la ate agora, dancando e cantando "I like to move it, move it"

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Esta semana bati o recorde de nomes mais exquisitos de candidatos a emprego que eu converso no telefone. Me ligou para falar de emprego um tal de Turkey Aboalola! Pois eh!

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Acho que achei a comunidade de nome mais exquisito do Orkut! Ok, ta preparado?...
"Eu odeio pentelho no meu sabonete".
Sem comentarios......

domingo, novembro 13, 2005

Eu sou mameluco, sou de Casa Forte, sou de Pernambuco, eu sou o Leão do Norte

Eu não escrevi este não. Recebi por email. Mas achei legal, quis dividir.


Tenho Orgulho de ser Nordestino!!
Tenho Orgulho de ser Pernambucano!!
Não desmerecendo terra alguma do nosso Brasil.

Ser Pernambucano é:

- Ser acusado justamente de que somos os mais megalomaníacos dos brasileiros e de estarmos no topo de um tal de IGPM (Índice Geral de Pouca Modéstia);
- Dizer de boca cheia que o Shopping Center Recife é o maior da América Latina;
- Falar também que o Chevrolet Hall é a maior casa de show da América Latina;
- Ter a maior avenida em linha reta do mundo - a Caxangá, no Recife;
- Ter a maior feira ao ar livre do mundo- a de Caruaru;
- Ter também o maior teatro ao ar livre do mundo - Nova Jerusalém, no município de Fazenda Nova, onde é encenada na Semana Santa o espetáculo A Paixão de Cristo;
- Ter a mais antiga sinagoga da América Latina - fica no Bairro do Recife, situado na ilha de Santo Antônio. Sem falar que foram judeus recém-saídos do Recife que migraram para os Estados Unidos e ali fundaram Nova York.;
- Achar a Torre de Cristal do Brennand a obra de arte mais bonita do mundo;
- Ter o maior paraíso do mundo e poder dizer com todas as letras: Fernando de Noronha é NOSSA!
- Saber que Recife é um dos grandes pólos de informática e de medicina do Brasil;
- Saber que O Galo da Madrugada é o maior bloco carnavalesco do mundo (conduz mais de 1,5 milhão de pessoas nas ruas do Recife), de acordo com o Livro Recordes;
- Ter orgulho do nosso São João que é o maior e melhor do universo;
- Ter O Diário de Pernambuco como o jornal mais antigo da América Latina;
- Saber que a primeira emissora de rádio da América Latina é a Rádio Clube de Pernambuco, que tem como slogan "Pernambuco falando para o mundo";
- Dizer que Olinda se transformou recentemente na Capital Cultural do Brasil;
- Estudos da Fundação Getúlio Vargas, que aponta as características econômicas de cada região, mostra que somos mais eficientes no comércio (influência dos holandeses?);
- Passar um tempo fora, chegar na capital e cantar: "Voltei Recife, foi a saudade que me trouxe pelo braço, quero ver novamente Vassouras na rua passando, tomar umas e outras e cair no passo...";
- Ah... Fazer a maior festa de forma bem calorosa, ao encontrar um conterrâneo em outro estado ou país;
- Morar em outro estado ou país e não perder o sotaque pernambuquês;
- É ser original, alegre, receptivo e solidário. É você perguntar onde fica o local tal e ser bem orientado por qualquer pernambucano;
- É valorizar a cultura popular, apreciar suas belas praias, é ser um cabra da peste!!!!!;
- É ser muito sortudo por nascer numa terra tão linda como essa;
- E fazer qualquer coisa por um taquinho de rapadura e/ou queijo coalho quando reside fora de Pernambuco;
- É se arrepiar com o nosso hino como se fosse o hino nacional, é usar nossa bandeira com todo orgulho, é saber a riqueza de nossa história...;
- Usar camiseta, boné, botton com a bandeira do estado
- Saber cantar o Hino de Pernambuco em todos os ritmos: forró, frevo, maracatu. Enfim... é amar a nossa terra e defendê-la acima de qualquer coisa!;
- Poder dançar um frevo em Olinda e se orgulhar em dizer que é nosso;
- Encher os olhos d'água com aquele sorriso no rosto e até se tremer de emoção só de falar do carnaval de Olinda...;
- Saber distinguir entre o Maracatu do Baque Solto do Maracatu do Baque Virado;
- Ir ao Recife antigo e pode constatar todo aquele patrimônio arquitetônico;
- Acreditar que Recife é mesmo a "Veneza Brasileira";
- Amar as pontes e Rio Capibaribe do Recife;
- E as praias de Pernambuco? Boa Viagem, Piedade, Candeias, Gaibu, Paraíso;
- Jantar olhando para a lua incrivelmente cheia e linda nos bares e restaurantes na beira do rio Capibaribe ou do Biruta no Pina.;
- Achar que Recife seria melhor se os holandeses tivessem permanecido e admirar Maurício de Nassau mesmo sabendo pouco sobre ele;
- É sabermos da nossa importância na construção da história desse país, da nossa identidade cultural Do nosso passado fundiário, dos nossos engenhos de açúcar;
- Ir ao monte das Tabocas perto de Vitória de Santo Antão e passar horas imaginando como uma batalha naquele lugar "deu origem" a um lugar tão maravilhoso quanto Pernambuco;
- Dar mais importância ao Campeonato Pernambucano de Futebol do que qualquer Campeonato Nacional, pois futebol se restringe a rivalidades entre Náutico, Sport e Santa Cruz;
- Ir ao Alto da Sé em Olinda apenas para ver Recife ao longe e comer tapioca;
- Ir prá Gravatá, Garanhuns... e se encher de casacos, luvas...independente do frio que esteja fazendo;
- Ficar sempre dividido entre as belezas das Praias de Porto de Galinhas e de Calhetas;
- Ouvir Alceu, Geraldinho Azevedo, Chico Science, Luiz Gonzaga, Lenine e outros tantos e poder dizer "São meus conterrâneos";
- Nos orgulharmos dos nossos grandes literatos: de João Cabral de Melo Neto, de Manuel Bandeira, de Carlos Penna Filho, de Osman Lins, de Gilvan Lemos, Raimundo Carrero, Luzilá Gonçalves, Nélson Rodrigues, Josué de Castro, Paulo Freire, Gilberto Freyre, além de Ariano Suassuna (que só fez nascer na Paraíba)...Entre tantos outros;
- Considerar Reginaldo Rossi o nosso Rei;
- Achar que José Pimentel é a cara do Cristo;
- Ir pra o teatro assistir "Cinderela" com Jason Wallace e se identificar com o sotaque e as gírias usadas no espetáculo;
- Vibrar com a chegada de Joana Maranhão na final das olimpíadas, pois desde 54 que nenhuma nadadora brasileira consegue tal feito;
- Freqüentar a praia de Boa Viagem em frente ao Acaiaca;
- Tomar um banho no mar de Boa Viagem mesmo com placas de advertência de tubarão em todos os lugares;
- E ir à Praia de Boa Viagem e tomar um "Caldinho Ele e Ela" p/ curar ressaca, gripe e dor de corno;
- Adorar bolo-de-rolo, sucos de pitanga, mangaba, cajá, tamarindo, graviola, manga, chupar pitomba e jaboticaba;
- Saber a delícia que é um bolo de bacia com caldo de cana;
- Correr no Parque da Jaqueira e depois se empanturrar de caldo de cana na saída;
- Tomar um caldo de cana no centro da cidade;
- Tomar café da manhã (macaxeira com charque) nos Mercados da Madalena e Cordeiro depois da noitada;
- Adorar o tempero da comida pernambucana: Buchada, Chambaril, Mão-de-Vaca, Rabada, Vaca atolada, Sururu, Caranguejo, Carne de Bode, Carne-de-Sol, Feijoada, Dobradinha, Fava...etc.
- Nunca usar artigo na frente de nome próprio: nada de A Maria, ou O Recife...
- Saber o significado das palavras "pirangueiro", "pantim", "mangar" e "lascou";
- Chamar Paínho e Maínha p/ visitar Voínho e Voínha;
- Falar visse no final de cada frase;
- Dizer: "É rocha !" , "É porque não dá mermo", "Di cum força", "digaí", "ta ligado!?", "oxente" entre outras...

PENSE NUMA TERRA ARRETADA DE BOA!

sexta-feira, novembro 11, 2005

7 coisas

7 Coisas que odeio ou me assustam

Bagunça
Mentira
Arrogância
Hora marcada
Falta de respeito
Bisbilhotice alheia
Conselho gratuito

7 Coisas que gosto de fazer

Ir ao cinema
Assistir TV
Dormir
Dançar
Fazer compras
Comer
Beijar

7 Coisas importantes em meu quarto

Minha cama basta. O resto não importa

7 Fatos aleatórios sobre mim

Eu dirijo cantando
So ando dentro de casa de pijamas
Tenho o hábito de mexer na orelha
Sou perceptiva (pego as coisas no ar)
Sofro de alergias
Detesto cigarro
Destesto acordar cedo


7 Coisas que pretendo fazer antes de morrer

Beijar Brad Pitt
Fazer um filme em Hollywood
nah... brincadeira...7 coisas eu não sei., mas uma que eu gostaria muito, era de poder passar metade do ano aqui, e daí passar o inverno no Brasil.. provavelmente é pedir demais.

7 Coisas que sei fazer

Desenhar muito bem (especialmente rostos)
Uma torta de maçã deliciosíssima!
Estacionar paralelo (hehe)
HTML básico
Digitar sem olhar pro keyboard
Imitar som que o porco faz
Trabalhar com artes visuais

7 Coisas que não consigo ou não quero fazer

Mentir sobre minha idade
Ir ao cinema sozinha
Não consigo cortar cebola sem chorar
Não consigo fazer meu filho aprender português
Esportes radicais não são pra mim
Ignorar bagunça, prato sujo, etc..
Assistir TV americana durante o dia (novela americana, Oprah, The View, yuck!)

7 Coisas em que acredito

Em Deus
Assim como são as pessoas, são as criaturas
Que exista vida além deste planeta
No poder da mente
Chocolate tem efeito calmante
Existe um Plano
A gente colhe o que planta

7 Coisas que eu sempre digo

Em inglês-
Fuck!
"know what I mean, Jelly Bean?"
"Cool beans!"
"oopsie daisy" (Peguei essa mania de Paulzinho)
freaking this, freaking that.. (tudo é freaking)
Honeybunny (o jeito como eu chamo meu filho e meu marido)
Oh my goodness!

Em Português-
Vixe
Oxe
Visse?
Tu (ao invéz de você)
Que presepada!
Dona Menina!
Seu Menino!


7 Personalidades

Muhammad Ali
Princesa Diana
Olga Benario Prestes
Anne Frank
Jorge Amado
Lucille Ball
João Paulo II

segunda-feira, novembro 07, 2005

Quando estava pra me mudar pra cá, minha mãe abriu o cofre lá de casa, pegou todas as suas joias que tinha lá dentro, despejou tudo na cama, e dividiu-as entre eu e minha irmã. "Este é seu, esta é dela, este é seu, este é dela.."
Eu que nunca fui muito de usar jóias, talvêz por causa do hábito, já que no Brasil faz tempo que os ladrões nos privaram disto, fiquei olhando para aquele montinho de ouro e pedras preciosas, sem saber o que fazer com ele. Fiquei com pena que ela estivesse se livrando assim das suas jóias, como se não mais fosse precisar delas.
"Vixe, mainha, guarde as suas jóias de volta no cofre. Por que está nos dando elas todas, assim, de uma vez? Parece que tá agorando!" - Eu disse.
" Porque se eu morrer primeiro que o seu pai, e ele se casar novamente, não quero que entregue a outra mulher, as coisas que deveriam pertencer as minhas filhas!" - Foi a resposta dela. Que aliás, não me veio como uma surpresa. Muitas vezes ouvi minha mãe falar isso.

Mas, por favor, não vá julgando rapidamente. Minha mãe até que tem motivos para pensar assim. Quando a minha avó morreu (a mãe dela), meu avô casou-se novamente com uma mulher que era mais nova que a minha mãe. Levou esta mulher para dentro de casa, a casa que foi da minha avó, aonde minha mãe nasceu e foi criada juntamente com os irmãos dela. Deu a esposa nova os pertences da minha avó, as louças, os móveis, tudo.. E quando morreu, deixou para ela em testamento metade da sua parte da herança da casa, deixando os 4 filhos para dividir tudo entre eles e a madrasta. Somente então foi que minha mãe (a única filha mulher) foi ver de volta algumas das coisas mais valiosas deixadas pela minha avó, pois a madrasta teve o bom senso de devolver, como o belíssimo conjunto de louça do casamento da minha avó, datado do começo do século passado, importado da velha Tchecoslováquia.

Minha mãe sempre diz que os homens entregam aos outros os tesouros de família. Eu vou concordar com ela nessa. As filhas são criadas para a família, os filhos são criados para a família da sua futura esposa, namorada.. As filhas pertecem a gente, os filhos, somente até uma certa idade.

Minha outra avó, morreu deixando pra trás uma casa enorme de grande na cidade, as terras da fazenda, e o casarão da fazenda. Tudo dividido entre os filhos, e resgistrado em cartório muitos anos antes. Quando se tem muitos filhos, esta é a coisa mais certa que se deve fazer. Para evitar confusões. O que não ficou dividido por lei porém, foram os seus móveis. Não estou aqui falando em móveis qualquer. Estou falando em móveis antigos, do começo do século passado, quando ela se casou com o meu avô. Mas muito mais do que isso, de enorme valor afetivo, relíquias de família.
Quando minha avó morreu, eram 3 as suas filhas vivas, minhas três tias. Mas acontece que na época, moravam todas na Capital. E lá no interior da minha avó, quem morava com ela era um dos filhos, juntamente com a mulher e os filhos pequenos. Tiveram uma idéia de jerico, de vender os móveis da minha avó, por coisas mais modernas. Móveis modernos que não combinavam com a casa, que não valiam nem metade dos móveis da minha avó, que não chegavam nem aos pés deles. Cometeram o enorme pecado de não perguntar a nenhuma das filhas da minha avó, se elas queriam alguns daqueles móveis, e se livraram deles sem dó nem piedade. Por que? Porque quem lá morava não era uma filha da minha avó, mas um filho. E homem "não liga pra essas coisas". Porque a esposa dele não era filha da minha avó, não tinha elo afetivo com as coisas da minha avó, como ela teria com coisas de sua própria mãe. Ela pecou por não ter respeitado este sentimento. Como mulher e filha de alguém, deveria saber que uma filha da minha avó muito provavelmente iria gostar de ter pelo menos um dos móveis que pertenceram a mãe, ou as suas louças, ou coisa assim..
Alguns meses mais tarde, está minha tia a passear pela cidade, entra numa boutiquezinha do lugar, e se depara com a antiga cristaleira da minha avó, lá estrategicamente colocada no meio da loja, com bugingangas expostas nas suas prateleiras. A peça mais bonita, mais imponente, mais extravagante, de propósito, daquela loja. A cristaleira da minha avó! E doeu na minha tia, porque só uma filha é acometida deste tipo de sentimento. E ela vive a repetir até hoje, que se soubesse que estavam se livrando da cristaleira de sua mãe, a teria comprado. Agora, ela pertence a uma estranha qualquer, que deve até ter pago o valor financeiro que a cristaleira merecia, mas nunca saberá o seu valor afetivo! Porque só uma filha sabe!

É claro, que nem todos os homens são assim, existem as exceções, e assim sendo, se você é parte desta exceção, então perdão, este texto não diz respeito à você. Mas na sua maioria, homens entregam sim, os tesouros de família. Fazem isto inocentemente, porque as filhas são criadas para nós, os filhos para os outros.

Como mãe de menino, não é nada fácil aceitar isso. As filhas crescem, casam, tem filhos. Em culturas diferentes, a estória é a mesma. Nos Estados Unidos, presentes na sala de parto, se alguém mais que o marido, este alguém é sua mãe. A sogra, a mãe do filho, jamais. Nas festinhas de formatura de Segundo Grau, os famosos Proms, o menino aparece sozinho pra buscar a namoradinha na porta de sua casa, munido apenas de uma limosine. Para participar deste momento, apenas a família da menina, munida de filmadoras, máquinas fotográficas. A do menino, nem pensar, pois não pega bem pra ele ser acompanhado por tal possi.
E assim por diante...

Como mãe de um menino, eu tenho muito para ensiná-lo. Ele vai crescer, e casar, e pertencer à sua esposa. Mas cabe à mim pelo menos ensiná-lo o valor emocional dos tesouros de família.

sexta-feira, novembro 04, 2005

Say what?

Nos Governos Bush (ambos Pai e Filho) só tem comediante. Quer uma prova? Entre Dan Quayle, que foi Vice Presidente durante o Governo de Bush Sr, e Bush Jr, o atual presidente, tem material suficiente pra colocar pra correr os comediantes profissionais mais badalados. Bush Jr até que tenta, mas se deixado a própria sorte, não diz coisa com coisa. Ele vai falando, e falando, se embaralhando nas próprias palavras, sem fazer muito sentido. Até estou deixando de fora algumas das suas pérolas, pois entre entender o que ele quis dizer, e traduzir tudinho pro português, desisti.
Já Dan Quayle, me desculpe, mas o cara é um idiota completo. Um palhaço!

Frases Bush (ou Busheimos)


“Uma das coisas mais significantes que aconteceram comigo desde que eu me tornei Governador – Presidente – Governador – Presidente. Oops, ex-governador. Eu fui até o Hospital Naval de Bethesda entregar uma medalha “Purple Heart”, e ao mesmo tempo eu estava assistindo ele receber a medalha “Purple Heart” – e ao mesmo tempo – logo que eu entreguei pra ele a medalha, ele fez o juramento para se tornar Cidadão Americano – um Cidadão Mexicano, agora Cidadão dos Estados Unidos”—Washington, D.C., Jan. 9, 2004

“E Brownie, você está fazendo um trabalho e tanto” —George W. Bush, ao Diretor do FEMA, Michael Brown que pediu demissão 10 dias depois, devido ao enorme criticismo causado por sua péssima performance após Katrina. Mobile, Alabama, Set. 2, 2005

“Os Americanos deveriam ser prudentes no uso de eletricidade durante as próximas semanas. Não compre gás se você não precisar” — Washington, D.C., Set. 1, 2005

“Nós discutimos a importância da democracia no Oriente Médio, de maneira a deixar para trás um amanhã pacífico” — Tbilisi, Georgia, Maio 10, 2005

“Nós esperamos que os Estados nos mostrem se estamos atingindo os objetivos mais simples – como literatura, literatura em matemática, abilidade de ler e escrever” - George W. Bush, falando a respeito dos requisitos Federal para a Educação, Washington, D.C., Abril 28, 2005

"A Marcha para a guerra atrapalha a economia. Laura me lembrou a um tempo atrás para eu lembrar o que estava nas telas das TVs – ela me chama de George W – “George W”. Eu chamo ela de “Primeira Dama”. Não, então – ela disse, nós dissemos, marcha para a guerra na nossa tela de TV” —George W. Bush, Bay Shore, New York, Mar. 11, 2004
No, seriously, dude, you lost me!

“A verdade é que, se você escutar bem, Saddam ainda estaria no poder se ele fosse o Presidente dos Estados Unidos, e o mundo ficaria melhor sem” — Durante o segundo Debate presidencial, St. Louis, Mo., Out. 8, 2004
Again, huh?

“Deus ama você, e eu amo você. E você pode contar com nós dois como uma mensagem poderosa para que pessoas que se perguntam sobre seus futuros possam ouvir” — Los Angeles, Calif., Mar 3, 2004

“Quem poderia invisionar uma ereção, quer dizer, eleição, no Iraque neste ponto da História? —Casa Branca, Washington, D.C., Jan. 10, 2005

“Eu vou passar um bocado de tempo trabalhando nas questões do Seguro Social. Eu gosto. Eu gosto de tomar conta do problema. Deve ser a “mãe” em mim “ — Washington D.C., Abril 14, 2005

“Este negócio de que os Estados Unidos estão prestes a atacar o Irã é simplesmente ridículo. E tendo dito isto, todas as cartas estão na mesa” — Bruxelas, Belgica, Feb. 22, 2005

“Você trabalha 3 empregos? Acho fantástico que você esteja fazendo isso” —George W. Bush, para uma mãe divorciada, com 3 filhos, em Omaha, Nebraska, Fev. 4, 2005

“Eu ouvi um rumor nas Internets, que vamos ter alistamento”—George W. Bush, Segundo Debate Presidencial, St. Louis, Mo., Out 8, 2004

Quer mais? Vamos ao Dan Quayle

"Marte é essencialmente na mesma órbita. Marte está a mesma distância do sol, o que é muito importante. Nós temos visto fotografias de canais, água, acredito. Se existe água, então significa que existe oxigênio. Se existe oxigênio, significa que podemos respirar."

"Se não sucedemos, nós corremos o risco de falhar!"

"É chegada a hora da raça humana entrar no sistema solar!"

"Uma palavra sumariza a responsabilidade de um vice presidente, e esta palavra única é "Estar Preparado"

"Para a NASA, o espaço ainda é a prioridade maior"

"Eu adoro a California! Praticamente cresci em Phoenix" - huh! Phoenix fica no Arizona!

"O futuro será melhor amanhã"

"Não é a poluição que está destruindo a natureza. São as inpuridades do ar e da água que estão."

"Eu estive recentemente na América Latina, e o meu único arrependimento foi não ter estudado latin na escola para poder conversar com aquelas pessoas"


Bom Final de Semana!

terça-feira, novembro 01, 2005

Meu novo ídolo!

Meu primo me enviou esta entrevista, que foi extraída da revista ISTOÉ. Eu achei fantástica, e quis dividi-la com vocês.

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Roberto Shinyashiki, 53 anos, é psiquiatra e psicoterapeuta
• Já vendeu 6,5 milhões de exemplares de livros como Amar pode dar certo e O sucesso é ser feliz
• Presidente da Editora Gente, conclui este ano o doutorado em administração de empresas na USP
• Católico praticante, freqüenta templos budistas e admira mestres da Índia como Osho, Sai Baba e Ramesh
• Apaixonado por guitarra, apresenta-se uma vez por mês com o grupo Dinossauros Rock Band em um bar paulistano


Roberto Shinyashiki
"Cuidado com os burros motivados"
Em Heróis de verdade, o escritor combate a supervalorização da aparência e diz que falta ao
Brasil competência, e não auto-estima.
Camilo Vannuchi

Observador contumaz das manias humanas, Roberto Shinyashiki está cansado dos jogos de aparência que tomaram conta das corporações e das famílias. Nas entrevistas de emprego, por exemplo, os candidatos repetem o que imaginam que deve ser dito. Num teatro constante, são todos felizes, motivados, corretos, embora muitas vezes pequem na competência. Dizem-se perfeccionistas: ninguém comete falhas, ninguém erra. Como Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa) em Poema em linha reta, o psiquiatra não compartilha da síndrome de super-heróis. “Nunca conheci quem tivesse levado porrada na vida (...) Toda a gente que eu conheço e que fala comigo nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho, nunca foi senão príncipe”, dizem os versos que o inspiraram a escrever Heróis de verdade (Editora Gente, 168 págs., R$ 25). Farto de semideuses, Roberto Shinyashiki faz soar seu alerta por uma mudança de atitude. “O mundo precisa de pessoas mais simples e verdadeiras.”

ISTOÉ – Quem são os heróis de verdade?
Roberto Shinyashiki – Nossa sociedade ensina que, para ser uma pessoa de sucesso, você precisa ser diretor de uma multinacional, ter carro importado, viajar de primeira classe. O mundo define que poucas pessoas deram certo. Isso é uma loucura. Para cada diretor de empresa, há milhares de funcionários que não chegaram a ser gerentes. E essas pessoas são tratadas como uma multidão de fracassados. Quando olha para a própria vida, a maioria se convence de que não valeu a pena porque não conseguiu ter o carro nem a casa maravilhosa. Para mim, é importante que o filho da moça que trabalha na minha casa possa se orgulhar da mãe. O mundo precisa de pessoas mais simples e transparentes. Heróis de verdade são aqueles que trabalham para realizar seus projetos de vida, e não para impressionar os outros. São pessoas que sabem pedir desculpas e admitir que erraram.

ISTOÉ – O sr. citaria exemplos?
Shinyashiki – Dona Zilda Arns, que não vai a determinados programas de tevê nem aparece de Cartier, mas está salvando milhões de pessoas. Quando eu nasci, minha mãe era empregada doméstica e meu pai, órfão aos sete anos, empregado em uma farmácia. Morávamos em um bairro miserável em São Vicente (SP) chamado Vila Margarida. Eles são meus heróis. Conseguiram criar seus quatro filhos, que hoje estão bem. Acho lindo quando o Cafu põe uma camisa em que está escrito “100% Jardim Irene”. É pena que a maior parte das pessoas esconda suas raízes. O resultado é um mundo vítima da depressão, doença que acomete hoje 10% da população americana. Em países como Japão, Suécia e Noruega, há mais suicídio do que homicídio. Por que tanta gente se mata? Parte da culpa está na depressão das aparências, que acomete a mulher que, embora não ame mais o marido, mantém o casamento, ou o homem que passa décadas em um emprego que não o faz se sentir realizado, mas o faz se sentir seguro.

ISTOÉ – Qual o resultado disso?
Shinyashiki – Paranóia e depressão cada vez mais precoces. O pai quer preparar o filho para o futuro e mete o menino em aulas de inglês, informática e mandarim. Aos nove ou dez anos a depressão aparece. A única coisa que prepara uma criança para o futuro é ela poder ser criança. Com a desculpa de prepará-los para o futuro, os malucos dos pais estão roubando a infância dos filhos. Essas crianças serão adultos inseguros e terão discursos hipócritas. Aliás, a hipocrisia já predomina no mundo corporativo.

ISTOÉ – Por quê?
Shinyashiki – O mundo corporativo virou um mundo de faz-de-conta, a começar pelo processo de recrutamento. É contratado o sujeito com mais marketing pessoal. As corporações valorizam mais a auto-estima do que a competência. Sou presidente da Editora Gente e entrevistei uma moça que respondia todas as minhas perguntas com uma ou duas palavras. Disse que ela não parecia demonstrar interesse. Ela me respondeu estar muito interessada, mas, como falava pouco, pediu que eu pesasse o desempenho dela, e não a conversa. Até porque ela era candidata a um emprego na contabilidade, e não de relações públicas. Contratei na hora. Num processo clássico de seleção, ela não passaria da primeira etapa.

ISTOÉ – Há um script estabelecido?
Shinyashiki – Sim. Quer ver uma pergunta estúpida feita por um presidente de multinacional no programa O aprendiz? “Qual é seu defeito?” Todos respondem que o defeito é não pensar na vida pessoal: “Eu mergulho de cabeça na empresa. Preciso aprender a relaxar.” É exatamente o que o chefe quer escutar. Por que você acha que nunca alguém respondeu ser desorganizado ou esquecido? É contratado quem é bom em conversar, em fingir. Da mesma forma, na maioria das vezes, são promovidos aqueles que fazem o jogo do poder.O vice-presidente de uma das maiores empresas do planeta me disse: “Sabe, Roberto, ninguém chega à vice-presidência sem mentir.” Isso significa que quem fala a verdade não chega a diretor?

ISTOÉ – Temos um modelo de gestão que premia pessoas mal preparadas?
Shinyashiki – Ele cria pessoas arrogantes, que não têm a humildade de se preparar, que não têm capacidade de ler um livro até o fim e não se preocupam com o conhecimento. Muitas equipes precisam de motivação, mas o maior problema no Brasil é competência. Cuidado com os burros motivados. Há muita gente motivada fazendo besteira. Não adianta você assumir uma função para a qual não está preparado. Fui cirurgião e me orgulho de nunca um paciente ter morrido na minha mão. Mas tenho a humildade de reconhecer que isso nunca aconteceu graças a meus chefes, que foram sábios em não me dar um caso para o qual eu não estava preparado. Hoje, o garoto sai da faculdade achando que sabe fazer uma neurocirurgia. O Brasil se tornou incompetente e não acordou para isso.

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