quinta-feira, junho 30, 2005

Bodas de Zinco

Tudo começou com uma brincadeira. Meu amigo me liga dos EUA pra matar as saudades e botar o papo em dia. Lá pra meiados da conversa ele pergunta "E o coração? A quantas anda?".
Andava num passo devagar, entediado, cansado da rotina. Fazia mais de um ano que eu havia terminado meu último namoro, e tinha sido um daqueles que deixa a gente desiludida por um tempo, de pé atrás, sem confiança no sexo oposto.
Falamos de mais outros assuntos, e desligamos.

Mais ou menos umas 3 semanas depois o carteiro me entrega um envelope grande, desses amarelos, bem pesadinho, endereçado pelo meu amigo nos EUA. O que seria? Ai que curiosidade!
Quando abri, uma enxurrada de cartas caiu no meu colo. No meio delas, uma cartinha do meu amigo que dizia "Surprise!", e um corte de jornal pequenininho clipado à ela. O danado, imaginem vocês, havia tomado a liberdade de colocar o meu nome no Boston Phoenix Paper, a área de Personals, dedicada aqueles que querem arrumar namorado(a). O corte de jornal era o anúncio, e dizia mais ou menos assim "Brazilian, sincere, looking for long term relationship"..

Eu não sabia nem o que dizer. Muito surpresa, mas interessada, comecei a olhar as cartas, haviam muitas, homens para todos os gostos: morenos, loiros, solteiros, divorciados, até viuvos.. Alguns mandaram fotos logo de cara.
Comecei a ler cartinha por cartinha. No começo não botei muita fé nessa de arrumar namorado por correspondencia, especialmente porque notei que todos esses rapazes pensavam que eu morava nos Estados Unidos, mas precisamente na mesma cidade que eles: Boston. Meu amigo falhou em mencionar um detalhe muito importante, o de que eu morava no Brasil.
Mesmo assim, fiz uma seleção, as que eu achava que eram interessantes o suficiente para responder. O mais novo tinha 17 anos (umm, muito novinho pra mim. Passo!).. O mais velho, nunca me disse a idade, mas era viuvo, e se dizia muito mais velho que eu (após algumas cartas cansei do mistério, passei também).
Isso foi anterior a era da Internet, antes dos emails e .coms tomarem conta da vida da gente.


Uma semana mais tarde, recebi um outro envelope do meu amigo, que dizia bem assim "Guess what" logo no envelope.
Pois é, mais cartas. Foi neste segundo envelope que veio a carta de Paul. Me chamou atenção logo de cara pela letra bem escrita, a simplicidade, e a maneira direta e honesta como ele me falou dele. E este era o começo de tudo.

Por um bom tempo ainda me correspondi com alguns dos outros rapazes, apesar de que com os outros foi ficando cada vez mais estabelecido um clima que era mais de amizade, enquanto com Paul a química era bem maior.
Lá para a terceira ou quarta carta, ele me enviou o telefone dele, dizendo pra ligar à cobrar. Não tive coragem. Na carta seguinte, ele então me pediu o meu. Eu dei. Uma semana mais tarde, mais ou menos o tempo que leva para uma carta ir do Brasil aos EUA, ele ligou.
A conversa, apesar de tímida, e ambos um pouquinho nervosos, anciosos, foi uma conversa legal, simple, honesta, exatamente como ele havia me passado nas cartas. Ele tentou dizer umas poucas palavras em Português. Eu caprichei no meu inglês, e botei em prática os anos de cursinho.
Pronto, daí por diante, as cartas foram ficando mais excassas, enquanto os telefonemas foram aumentando e ficando mais frequentes.
Logo, logo, todos ao meu redor começaram a se acostumar em ouvir o nome dele, "Paul me ligou hoje", ou "vou pra casa porque Paul vai me ligar", ou "Falei com Paul ontem", ou "Paul me contou uma estória assim assado no telefone esta semana"... Ele virou parte da familia, parte da minha realidade, da minha rotina.
Por um pouco mais de um ano, nos falamos quase todas as semanas por telefone, trocamos cartões de Aniversário, Natal, Dia dos Namorados, fotografias, e assim por diante.

Quando Paul apareceu no Brasil para me conhecer pessoalmente, um pouco mais de um ano depois que trocamos a nossa primeira correspondência, nós já sabíamos que estávamos destinados um ao outro. Porque existem coisas nesta vida que acontecem desse jeito, e não adianta tentar explicar, ou controlar, ou brigar contra. E nós não tentamos controlar, ou explicar, ou brigar contra. Apenas seguimos o rumo do coração, e sim, da cabeça também, porque neste caso, a cabeça concordou que o momento era certo.

Numa tarde meio nublada, nós fomos passear pelas areias de Boa Viagem. Nos sentamos de frente pro mar, e ele começou a falar tudo aquilo que eu já sabia que viria. E assim, ele me perguntou se eu queria casar com ele. Assim, simples, lá na praia. A resposta foi sim, claro.

Nos casamos em Dezembro daquele mesmo ano (1994), mas por burocracia da Imigração só me mudei para cá em Maio de 95. Daí, por outra burocracia da Imigração, tivemos que casar aqui novamente. Então casamos no dia 30 de Junho de 1995. Como não começamos a nossa vida juntos até Maio de 95, então passamos a celebrar a segunda data como a oficial.

Pois é, hoje estamos fazendo 10 anos de casados. O tempo passa rápido! Mas também vem nos provar que amores que começam assim são completamente possíveis, existem, sobrevivem, são fortes, e geram frutos. E quem tem medo de seguir o coração, pode estar sabotando a própria felicidade.

Happy Anniversary to Paul and I!



quarta-feira, junho 29, 2005

Alguém já sentiu que precisava tirar umas férias para descançar das férias? Assim estou eu. A verdade é que depois que voltei das minhas férias venho me sentindo mais cansada do que antes. Sair da minha rotina meio que me deixou desorientada.
Ontem fui ao médico, a primeira coisa que ele me perguntou foi quantos copos de café eu bebo por dia. É copo mesmo, porque americano não bebe cafezinho, bebe em baldes. Pois é, morando aqui a 10 anos, meus cafezinhos foram crescendo, crescendo..



- Quer saber mesmo, Dr? - perguntei
- Quero sim.
- Digamos que mais que 3 ao dia (não xícaras. Copos!)
- É muito. Vai ter que diminuir pra um por dia, e olhe lá. - Eu comecei a rir, ele disse que estava falando sério.

Hoje de manhã só tomei um, e meu marido ficou rindo, dizendo que quer ver até quando vai durar. Pelo menos não sou pior que ele que vai a Dunkin Donuts e pede "The Great One!" Alguém sabe o que é um Great one? ahah..
São 24 ounces de café de uma vez, ou seja, 709ml. É balde ou não é? Pois bem, eu não chego a tanto, mas o povo daqui, melhor aplicar na veia e fazer transfusão. Eu me enveneno em doses menores e mais pausadas que isso.

Pois é, então pelo menos por alguns tempos este blog não sera movido a cafeína. Provavelmente será empurrado e arrastado por coisas mais sadias...como água.

segunda-feira, junho 27, 2005

O que fazer com estes sapatos?

Comprei estes sapatos, que eu achei belissimos, para ir ao casamento la em Atlanta. Me custaram $49.95 dolares. Geralmente eu nao sou de pagar tanto assim por um par de sapatos (quando era solteira sim, mas nao atualmente). Mas eu queria algo que combinasse bem com o meu vestido, e cai de amores a primeira vista por este par.



Pois bem, nao duraram 4 horas! Assim que comecei a usa-los, os saltos comecaram a cair os pedacos. Salto alfinim, como disse a minha sobrinha. E olhe que nao dancei, nao pulei, nada disso. Somente sentandinha na minha mesa, de vez em quando levantando para uma coisinha ou outra. Os saltos foram caindo uma lasquinha, depois outra, depois outra. Finalmente, terminei a noite descalca, com medo de ficar so no toco.
O que voces fariam? Tentariam devolve-los?

salto alfinin

domingo, junho 26, 2005

Almanaque Anos 80

Olha só o que o meu priminho me mandou lá do Brasil. Valeu, Marquinhos!

Agora ando me deliciando com este livro, que é simplesmente fantástico. Quem tem, sabe. Quem não tem, eu recomendo.
Pra quem foi adolescente dos anos 80 como eu fui, este Almanaque é indispensável. Gente, tem coisas do arco da velha. Os autores são Luiz André Alzer & Mariana Claudino. Fico impressionada que eles tenham conseguido relatar, nos míiiiiiinimos detalhes, tudinho que se passou na década de 80.

Como por exemplo, alguém se lembra dos nomes das Chacretes do Chacrinha?
Pois aqui vai a lista:
- Rita Cadillac, Gracinha Copacabana, Estrela Dalva, Índia Poti, Índia Amazonense, Fátima Boa Viagem, Sueli Pingo de Ouro, Valéria Mon Amour, Esther Bem-Me-Quer, Regina Polivalente, Dayse Cristal, Cristina Azul, Sandra Pérola Negra, Bia Zé Colméia, Sarita Catatau, Lia Hollywood, Leda Zepelin, Fernanda Terremoto, Graça Portelão, Gleice Maravilha, Sandrinha Radical, Rosane da Camiseta, Érica Selvagem, Chininha, Cleópatra, Aninha, Lucinha Ti-ti-ti, Sandra Veneno, Gláucia Sued, Jussara, Sandrinha toda Pura, e Geni (que ganhou o apelido depois que Chico Buarque cantou Joga Pedra na Geni, joga bosta na Geni, em 1979).

E mais, o Cassino do Chacrinha, ficou no ar de Março de 1982 a Julho de 1988 (ele morreu de cáncer de pulmão no dia 30 de Junho daquele ano, uma quinta-feira. Mas seu último programa foi ao ar no sábado seguinte, 2 de Julho). Os jurados variavam, e somente dois deles eram fixos: Elke Maravilha e Édson Santana, que fazia o gênero mal-humorado e era sempre recebido com vaias.

Aposto que muito gente já nem lembrava desses detalhes. É por isso que este livro é muito legal.

sexta-feira, junho 24, 2005

10 Anos Depois

Quando estava viajando, num dos nossos pit-stop de beira de estrada, lá em New Jersey entrei numa Starbucks e saí de lá com um latté e o novo cd de Alanis Morissette nas mãos: Jagged Little Pill, 10 anos mais tarde, desta vez em versão acústica.
Na semana anterior já havia assistido uma entrevista com ela (Dateline NBC ou 20/20, não lembro qual dos dois) aonde ela havia mencionado que para comemorar o aniversário de 10 anos do álbum (que também a colocou no mapa do mundo musical), ela o estava relançando.


Quando entrei no carro e mostrei à Paul, ele perguntou porque comprar o mesmo cd, com as mesmas músicas, tudo de novo? Não sei, fiquei curiosa! Fui atraída pela diferença.
Mas assim que começamos a escutá-lo, fomos os dois unânimes em reconhecer que Alanis conseguiu repetir a façanha.
Foi como tirar o cd da gaveta, limpar a poeira, dar uma reciclada nele... só que Alanis desligou-o da tomada, introduziu arranjos novos, instrumentos diferentes, até mudou umas coisinhas nas letras. E voilá!

O que acontece quando uma garota de 19 anos, com a sexualidade à flor da pele, aparentemente mais vivida que as outras garotas da mesma idade, tem o coração partido?
Ouça Jagged Little Pill, e você saberá a resposta. E sendo assim, em 1995 Alanis tornou-se pioneira numa industria predominada pelo macho.
Depois dela surgiram muitas, algumas duraram uma música, como Meridith Brooks (Bitch), outras alguns sucessos - please, de onde vocês pensam que surgiram uma Avril Lavigne, uma Pink dessas da vida? Todas tentam, mas igual à Alanis, nenhuma.
Eu li um comentário que Complicated (cantada por Avril Lavigne) deve ser a melhor música de Alanis Morissette, não escrita por Alanis Morissette. É por aí mesmo.

Jagged little pill ao pé da letra significa pílula pequena de formato irregular, ou seja, uma coisa que não desce fácil garganta abaixo. Então uma tradução que faz mais sentido seria - pílula dificilzinha de engolir!


Alanis cresceu, se afastou por uns tempos, encontrou sua espiritualidade lá na Índia (thank you India!), despiu-se de tudo (literalmente até), esqueceu os amores antigos (que por sinal, somente num episodio de Curb you Enthusiasm foi que vi ela contar, assim de zona, no ouvido de Larry Davis, quem era o tal do homem pra quem ela escreveu You oughta know), e este ano ela voltou.

Mas apesar de mais calminha, e mais madura, o relançamento de Jagged Little Pill já começou causando polêmica e irritando gente pelo caminho. É que ao invéz de colocar o cd à venda nos lugares de sempre, por um capricho talvéz, Alanis assinou um contrato exclusivo com a Starbucks que dá à companhia um jump-start de 6 semanas na sua venda. Só depois disso, é que o cd será vendindo em outras localidades. Leia mais aqui.
O que me faz crer que o relançamento não foi movido por intenções financeiras, mas somente puro ego. Esta é a Alanis!
De qualquer forma, como já disse aí em cima, o cd está fantástico, e eu o recomendo.

Eu gosto de TODAS as músicas, mas aqui vão duas das minhas favoritas, com suas respectivas traduções:

Right Through You
Wait a minute, man
You mispronounced my name
You didn't wait for all the information
Before you turned me away
Wait a minute sir
You kind of hurt my feelings
You see me as a sweet back-loaded puppet
And you've got a meal ticket taste
I see right through you
I know right through you
I feel right through you
I walk right through you
You took me for a joke
You took me for a child
You took a long hard look at my ass
And then played golf for a while
You shake is like a fish
You pat me on the head
You took me out to wine dine 69 me
But didn't hear a damn word I said
Hello Mr. Man you didn't think I'd come back
You didn't think I'd show up with my army
And this ammunition on my back
Now that I'm Miss Thing
Now that I'm a zillionaire
You scan the credits for your name
And wonder why it's not there

Espere um minuto, cara
Você me chamou pelo nome errado
Você não esperou por toda a informação
Antes de mandar-me embora
Espere um minuto, senhor
Você meio que feriu meus sentimentos
Você me vê como um fantoche de carregar nas costas
E você me experimentou
Eu vejo diretamente através de você
Eu sei diretamente através de você
Eu sinto diretamente através de você
Eu ando diretamente através de você
Você me tomou como uma brincadeira
Você me tomou como uma criança
Você deu uma boa olhada na minha bunda
E então jogou golfe por um tempo
Você treme como um peixe
Você acariciou a minha cabeça
Levou-me para tomar vinho, jantar e um 69.
Mas não escutou nada do que eu disse
Oi, Sr. Homem, você não pensou que eu voltaria
Você não pensou que eu apareceria com meu exército
E esta munição nas costas
Agora que sou a Senhorita Coisa
Agora que sou uma zilionária
Você procura nos créditos o seu nome
E se espanta por ele não estar lá

You Oughta Know
I want you to know
that I’m happy for you
I wish nothing but the best for you both
An older version of me
Is she perverted like me
Would she go down on you in a theater
Does she speak eloquently
And would she have your baby
I’m sure she’d make a really excellent mother
’cause the love that you gave that we made
Wasn’t able to make it enough for you to be open wide, no
And every time you speak her name
Does she know how you told me you’d hold me until you died
But you’re still alive
And I’m here to remind you
Of the mess you left when you went away
It’s not fair to deny me of the cross I bear that you gave to me
You oughta know
You seem very well, things look peaceful
I’m not quite as well, I thought you should know
Did you forget about me mr. duplicity?
I hate to but you in the middle of dinner
It was a slap in the face how quickly I was replaced
Are you thinking of me when you fuck her’?
cause the love that you gave that we made wasn’t able to make it enough for you to be open wide, no
And every time you speak her name
Does she know how you told me you’d hold me until you died
But you’re sill alive
’cause the joke that you laid in the bed that was me
And I’m not gonna fade as soon as you close your eyes and you know it
And every time I scratch my nails down someone else’s back I hope you feel it...well can you feel it?

Vocè Há De Saber
Eu quero que você saiba
que eu estou feliz por você
Eu desejo nada além do melhor para vocês dois
Uma versão mais velha de mim
Ela é pervertida como eu?
Ela desceria em você num cinema?
Será que ela fala com eloquência?
Será que ela teria o seu filho?
Eu tenho certeza que ela faria uma mãe realmente excelente.
Porque o amor que você deu, que nós fizemos
não foi suficiente para fazer com que você se abrisse, não
E todas as vezes que você fala o nome dela
Será que ela sabe como você me disse que ficaria comigo até morrer,
mas você ainda está vivo?
E eu estou aqui para relembrá-lo da bagunça que você deixou quando partiu
Não é justo negar a cruz que eu carrego, e que você me deu
Você há de saber
Você parece bem, as coisas parecem calmas
Eu não estou tão bem assim
Eu achei que você deveria saber
Você esqueceu de mim, Sr Duplicidade?
Eu detesto encomodá-lo no meio do jantar
Foi como um tapa na cara o jeito rápido como eu fui substituída
Você pensa em mim quando está fudendo ela?
Porque o amor que você deu, que nós fizemos não foi suficiente para fazer com que você se abrisse, não
E todas as vezes que você fala o nome delaSerá que ela sabe como você me disse que ficaria comigo até morrer, mas você ainda está vivo?
Por causa da piada que você deitou na cama, que era eu
E eu não vou desaparecer assim que você fechar os olhos, e você sabe disso
E todas as vezes que eu arranhar as costas de alguém com as minhas unhas eu espero que você sinta..você pode sentir?

quinta-feira, junho 23, 2005

O casamento

Já comentei que fomos assistir a um casamento lá em Atlanta. O noivo é um dos melhores amigos do meu marido, de muitos anos.
E que casamento foi o dele. Não podia deixar de comentar aqui.

O noivo é de descendência Armenia, a noiva é Judia. O casamento teve uma mistura dos dois. Foi realizado ao ar livre, nos jardins de uma casa de festa, por uma amiga dos dois. O noivo é músico, percussionista. Houve uma mistura de músicas, simplesmente sensacional, que contou com música grega, e até Djavan na hora dos noivos dançarem. Músicos gregos tocaram antes e depois da cerimônia. Nas cadeiras haviam pares de castanholas, que foram batidas ao final da cerimônia.
Quando a festa começou, havia uma dançarina do ventre, super cool! Mais tarde, a moça andava lendo as mãos das pessoas na festa.
O bolo foi adornado com o Yellow Submarine (em referência aos Beatles, que o noivo simplesmente ama), e uma sereia (paixão da noiva).

Gostaria de postar as fotografias aqui, mas como não pedi permissão aos noivos, so vou postar estas duas fotinhas que achei bem legais.


Castanholas

terça-feira, junho 21, 2005

Voltei

Estou muuuito cansada, mas satisfeita. Viajar de carro desse jeito é um trabalhão, e sem dúvidas cansa demais, mas tem suas vantagens. Uma é que é muito mais econômico, e outra é que é muito mais interessante. As coisas que a gente vai vendo pelo caminho, as pessoas com quem a gente interaje.. demais!
O roteiro: Saindo de Massachusetts, e passando por Rhode Island, Connecticut, New Jersey, New York, Pensylvania, Maryland, Virginia, Washington D.C., Delaware, North Carolina, South Carolina, até chegar na Georgia..

Algumas curiosidades que EU notei
1 -O povo daqui é viciado em café, taí as dunkin donuts de toda esquina que não me deixam mentir. A medida que a gente vai se afastando de New England, as Dunkin Donuts vão sumindo. No trecho de New Jersey à Pensylvania a gente ver mais Starbucks.. quando a gente chega na Virginia, pronto, parece que ninguém mais bebe café. Acredite, nós procuramos. Lá na Carolina do Sul, bem na beirada da estrada, havia um Café muito pequeno, operado por uma única pessoa. A simpatia famosa dos sulistas estava evidente. Com um sorriso enorme, foi logo puxando conversa, mas eu tive que esperar bem uns quinze minutos daqui que ela preparasse o café, porque ela me falou que ninguém naquelas bandas bebe café quente no meio do dia (quando eu cheguei lá, ela estava preparando cafés gelados, tipo milkshake para outros clientes). Quando o café finalmente saiu, para minha surpresa, estava DELICIOSO! Também, esta foi a primeira e única vez que conseguimos beber um café que prestasse no Sul deste País. Paul foi o caminho todo de ida e volta, brincando que os sulistas tinham um pote de café ruim guardado somente para os yankees (neste caso, ele, com carro de placa de Massachusetts). Lá vem um Yankee, traz o café ruim aí, menina!

2 - Na Georgia a temperatura estava bastante quente, mas o povo lá parece não gostar de ar-condicionado. Usam, mas bem fraquinho. Ao contrário daqui, que mal fez um solzinho, e os ar-condicionados já estão ligados no máximo. O que reforça as minhas suspeitas que o povo aqui realmente adora este frio ridículo que faz por aqui.

3 - As Expressways de Atlanta são verdadeiras pistas de corrida. O povo corre desembestado, trocando de faixa, cortando na sua frente, sem nem dar um sinal. Parece corrida de Formula 1. E olhe que são 6 faixas. A gente perdia as exits da gente porque ninguém também deixa você passar. Uma loucura! Bem diferente daqui, aonde o povo nem buzinar em protesto buzina, e as ruas estão repletas de velhinhas corocas encolhidas atrás dos volantes.
Ah, outra coisa, o povo abandona os carros quebrados nas expressways. A gente via dois ou três carros quebrados a cada exit. Muito estranho!

4 -Boston é sem dúvidas uma cidade mais requintada. Apesar de bonita, Atlanta não tem a mesma finesse, digamos assim. Em compensação, o povo aqui é metido à besta, enquanto os sulistas são mais simpáticos.

Amanhã falarei um pouquinho do casamento que fomos assistir, do amigo de Paul. Por hoje, fiquem com mais fotos.

Fomos neste Parque chamado Stone Mountain. Muito legal. Tem uma vila fictícia, um passeio de trem, e um passeio chamado Skyview, quando a gente sobe de cable car até o topo da montanha. Lá em cima, da pra ver a cidade inteirinha.



La em cima, as águias fazem os ninhos nas antenas







E finalmente, pegando estrada de volta

Pentágono, Washington D.C.
Nova York

sexta-feira, junho 17, 2005

Estamos de Férias!

Estamos em Atlanta, na Georgia. Chegamos aqui ontem. E viemos dirigindo. Foram 17 horas de estrada, de Boston até aqui. Vou te contar, este País tem estradas maravilhosas, bem sinalizadas, facilzinho de encontrar o caminho.



Uma peculiaridade do Sul, é que os caminhões por aqui levam mensagens anti-aborto como esta (logo o primeiro sticker da esquerda). Esta daqui diz "Grávida? Com medo? Precisando de um amigo? Disque 1800-abortonão"

Não sei ainda se estou gostando de Atlanta ou não. Tem sempre aquela empolgação de conhecer um lugar diferente, estar de férias, o hotel é maravilhoso.. mas cidade por cidade, Boston é mais bonita! Mas estou curtindo. A temperatura aqui está quentíssima! Hoje nós fomos bater perna lá no centro, assim mesmo sem saber pra aonde ir, ou o que ver, sem mapinha, sem nada.. só andando. Fomos bater no Underground Atlanta, que é tipo um shopping center, bem interessante. Entramos de um lado e saimos do outro, daí avistamos o World of Coca Cola. Foi aí que mencionaram que aqui fica a fábrica de Coca cola que distribui para o País inteiro. Então, porque estavámos bem ali, fomos lá conferir. Achei interessante!
Depois, so andamos rua atrás de rua. Tem tanta coisa que gostaria de ir ver, como por exemplo, amanhã vou ver se quanto custa para fazer o tour de O Vento Levou, ou seja, até o Museu com a estória por trás do livro, e do filme, e da autora. Quantas vezes você já assistiu "E o Vento Levou"? Quanta a mim, pois é, eu já perdi as contas. Eu gosto desse filme esse tantão!

Vou ficando por aqui, estou muito cansada. Só estou dando esta passadinha no blog, porque eu trouxe o laptop e o hotel tem WiFi. Mas na verdade, o laptop só veio, por causa do trabalho do meu marido. Então, na verdade, estou usando só um pouquinho.

Na volta a Boston, vamos passar por Washington DC. Aí sim, acho que vai ser bem interessante!

Por enquanto, fiquem com algumas fotos de Atlanta


Underground Atlanta


Em quantas linguas dar pra dizer Coca Cola?

quinta-feira, junho 09, 2005

Os Astronautas de hoje, foram os Paulzinhos de ontem

Meu filho nasceu em 9 de Junho de 2001. Como quem sai aos seus não degenera, ele veio com 10 dias de atraso, afinal andar sempre atrasado é marca registrada de família.
Desde os primeiros movimentos, ainda na barriga, já era bem danadinho. "he is a mover and a shaker", disse a enfermeira durante o parto, já que nem para nascer ele deu uma paradinha.

Quando era recem-nascido, botava a boca no trombone se não fosse carregado na posição vertical, sobre o ombro. Logo muito cedo já demonstrava o genio forte, e a personalidade marcante.




Com a mobilidade, veio o espírito aventureiro, a curiosidade aguçada, a energia infindável. Nos parquinhos, enquanto as outras crianças deslizam nos escorregos, brincam nos balanços, Paulzinho é o menino fuçando atrás das moitas, correndo em direção do mato, examinando os insetos, acocorado, sujando as mãos de terra. Por conta disso, suas calças estão sempre a formar buracos nos joelhos e terminam no lixo antes do tempo.


com o amiguinho Owen (Paulzinho é o da direita)

Menino inteligente, Paulzinho também é das artes. Adora pintar e desenhar, também uma coisa bem da família. Para orgulho da mamãe, é devorador de livros, livros pra ele nunca são suficientes. Com toda aquela energia, pode passar horas sentadinho, só folheando seus livrinhos. Ele presta atenção quando a gente está lendo pra ele, daí memoriza a estória, e quem não sabe, pensa que ele está realmente lendo os seus livrinhos sozinho.



Paulzinho é determinado, independente, aventureiro, destemido... até demais, para o gosto da mamãe. Eu costumo brincar que ele será um daqueles que vai escalar o Everest, ou virar astronauta. Os astronautas de hoje, devem ter sido os Paulzinhos de ontem.



Também é carinhoso, amoroso, beijoqueiro. Dorme com a mamãe, me pedindo pra coçar as costas para cair no sono. Da beijo na boca da gente, dessas bicocas estaladas! Não há como resistir.



O brasileiro nele gosta de dançar, é fã da Xuxa, gosta de futebol, e tem uma pele branquinha que bronzeia que é uma lindeza durante o verão.
Se parece comigo, impossível não notar. Tem os cabelos do pai. O temperamento também é do pai no que diz respeito aos gostos de menino.. Quando brinca, gosta de brincar com o pai. Mommy é somente para horas de chamego, ou para beijar os booboos (dodois em inglês).

Paulzinho e Jabba The Hut

Pulando, correndo, fazendo de conta, assistindo Spider-man, Simpsons, Futurama, The three Stooges, e mais recentemente, Speed-racer.




E esse é o meu Paulzinho.
Hoje ele está completando 4 aninhos!
Ai, Paulzinho, parece que foi ontem. E também ao mesmo tempo, é como se você estivesse estado sempre aqui. Nem me lembro como era antes de você.

A gente ama as pessoas e as criaturas. Ama as situaçoes, e até certas coisas.. mas a gente nunca sabe a profundidade do amor, até ter um filho.
Amor de filho que sai de dentro das entranhas, que é tão grande que até doi. Amor sem limites, e sem fim. Ai, meu Deus, as vezes até me pergunto se mereço!



Parabéns, Paulzinho!

terça-feira, junho 07, 2005

Não provoque! É cor-de-rosa choque!

Eu costumo dizer que Tom Cruise é como vinho; quanto mais velho, melhor! A adolecente em mim suspirou quando viu sua primeira declaração de amor por Katie Holmes na tv, pra quem quisesse ouvir. Geralmente celebridades procuram esconder seus romances, ou mantê-los abaixo do radar do paparazzi.
Então, achei legal ele chegar assim, de peito aberto, ir declarando "é, to apaixonado sim, e daí?".

Mas, algumas semanas mais tarde, já estou de saco cheio de vê-lo desfilando com a moça por aí, como se ela fosse um trofel. Não pelo fato de existir uma diferença de 16 anos entre os dois, mas pelo fato dele parecer dar uma importância tremenda à isso, "hey look at me, look at me. I still got what it takes! Me poupe, por favor! Toda mulher com dois olhos em bom funcionamento sabe que Tom ainda é o Cruise.
Ele realmente não tem necessidade de ir ao Show de Oprah Winfrey mostrar uma fotografia do seu Cólon (sim, senhoras e senhores; cólon!) dizendo que o mesmo tem uma aparência 20 anos mais jovem.

O que é um Cólon? Veja foto:



Crise de meia-idade? Não sei, mas o fato é que Tom não parece ser mais aquele. Birutices à parte, o que realmente me deixou de sobrancelhas arqueadas foi sua alfinetada na atriz Brooke Shields. Sinceramente, how dare you, Mr Cruise?


Brooke e sua filha, Rowan

Para aqueles que não sabem, recentemente Brooke Shields lançou um livro (Down Came the Rain: My Journey Through Postpartum Depression), aonde relata os pormenores da sua batalha contra Depressão Pos-Parto, após dar a luz à sua filha Rowan. Com o livro, a atriz teve a intenção de, não somente expor sua situação (coisa que ainda é espécie de tabú, especialmente no mundo artístico), como também estender a mão à multidão de mulheres por aí, quem sofrem, sofreram, ou sofrerão o mesmo problema.

Recentemente assisti uma entrevista com ela, feita pelo Today Show. Me chamou atenção, sim. Como mãe e mulher, me identifiquei um pouco com o drama dela. Aquela moça tão bonita, tão glamourosa, imagine você, ela é mulher igual a mim! Sofre de problemas que muitas de nós sofremos! E assim, acho que esta foi a intenção de Brooke.
Nas suas entrevistas, assim como no seu livro, Brooke relata suas dificuldades em engravidar. As inúmeras tentativas, tratamentos diferentes, muitas decepções.. quando finalmente conseguiu, quando tudo era pra ser alegria, veio a depressão pos-parto que sofreu, para o qual não estava preparada!
Me fez lembrar da minha experiência própria. Apesar de não ter passado por tratamentos e dificuldades grandes pra engravidar, a minha primeira tentativa resultou num aborto (não intencionado).
E depois que o meu filho nasceu, por semanas e semanas sofri do que aqui eles chamam de Baby Blues. Com os hormonios em pandemonio, os sintomas não foram somente emocionais. Foram físicos também. A pele pipocou de acne. Tive acne em lugares que, vixe, nunca tive antes! Os cabelos caíam a mãos cheias. As unhas quebradiças!
Mas a carga emocional pega a gente de sopetão! Eu chorava pelos cantos, sem ter motivo. Pensava que estava ficando louca! Um nenenzinho recem-nascido que não dormia nunca! Que não pegava o peito nunca, por mais que eu tentasse. E pessoas ao redor, que eram bem intencionadas, mas ignorantes (como eu, ate) com relação aos sintomas pos-parto.
Não é fácil, não!
Os meus sintomas duraram somente algumas semanas, aos poucos fui me sentindo melhor. Mas mesmo assim, me senti sobrecarregada de emoções. Posso imaginar como é para alguém que sofre de depressão severa. Então entendi muito bem o drama da Brooke Shields.

E por isso, fiquei indignada com a audácia de Tom Cruise, de ir criticá-la em cadeia nacional. No programa da Oprah Winfrey, ele disse, pulando no sofa "Quando alguem diz que a medicacao tem ajudado, é somente para enfrentar a situação. Medicação não cura nada! Não existe ciência por tras da psiquiatria! Fazer de conta que tem, é crime! Não existe nada no livro Green Earth, de L Ron Hubbard afirmando que Paxil (medicamento anti-depressão) pode curar viciadas como Brooke Shields, exceto a fé, vitaminas, exercício, e desintoxidores de cólon. Doença e morte começam no cólon!"


Honestamente, Tom, no dia em que o homem for capaz de dar à luz (quem sabe sairá de seu cólon imaculado?), então você terá o direito de dar o seu pitaquinho à respeito de assuntos deste quilate. Concordo que Fé, vitaminas, e exercícios ajudam! Mas o problema é mais profundo, muito mais profundo que isso! Eu poderia falar muito mais à respeito, mas este é um assunto que requer tempo, e tomaria muito espaço aqui também.

A resposta de Brooke Shields?
"Ele deveria se concentrar na comunicação com extra-terrestres. A única coisa que a Scientology (a religião de Tom) livra as pessoas, é de seu dinheiro!".
E ela ainda tirou uma casquinha do seu namoro com Katie Holmes, dizendo "Se Tom quiser ir assistir "Chicago" (Ela participa da sua versão Inglesa do Show da Broadway), eu o mandarei dois tickets - um adulto, e um infantil... Talvéz ele gostaria de levar a Dakota Fanning, enquanto ele ainda é mais alto que ela!"



Eheheh!!! OUCH!
Não provoque, Mr Cruise! É cor-de-rosa choque!

Para quem quiser ler mais à respeito de depressão pos-parto:
- Ivillage - Postpartum Depression or the Baby Blues?
- Gravidez e Psiquiatria
- Depressao Pos-Parto - Dr. Heinz Roland






sábado, junho 04, 2005

Da série - Estórias do meu pai!

Por nenhum motivo especial, hoje estava recordando uma estória que ouço meu pai contar desde quando eu era pirralhinha, e sei lá, me deu na telha de contar aqui pra vocês.

Primeiro, uma explicação: Meu pai nasceu numa cidadezinha do Sertão de Pernambuco chamada Ouricuri. Morou lá até adolecente, quando se mudou para a Capital para continuar os estudos. Vive no Recife até hoje, mas sempre foi homem de raízes e coração sertanejos. Eu e minha irmã nascemos e fomos criadas entre Recife e Olinda, mas crescemos viajando todos os meses de Janeiro com mamãe e papai, para passarmos as férias de verão em Ouricuri. Meu pai vem de família grande, e Janeiro sempre foi o mês de reunir a família na casa da minha avó, passando os dias nas andanças na Fazenda, subindo em pés de umbuzeiros, ou escalando os cercados do curral para espiar o gado, as novas aquisições de um tio ou outro, o bezerrinho novo que acaba de nascer, ou o touro brabo que alguém tenta amançar... As noites consistiam de jantar em volta da enooooorme mesa da minha avó, depois esperar o sino da Igreja de São Sebastião começar a anuciar a hora da Missa.. depois, as diversas festas que são comuns na cidade durante esta época... Uma vez no mês era promovido o grande churrasco de bode, lá na Fazenda, que contava a iluminação de uma fogueira gigantesca, e música sertaneja.
Janeiro tem as festas de São Sebastião, que é Padroeiro de Ouricuri, e a Festa de São Brás. A cidade se enche de pessoas como o meu pai, originadas de Ouricuri, que vivem na cidade grande, e voltam nas férias.
E assim passei a maioria dos meus Janeiros, até casar e me mudar para cá.

Minha mãe, com minha irmã no colo, eu em pé, e meu pai, em Ouricuri (1972)

Eu, também em Ouricuri

Pois bem, dada esta explicação, tem uma estória que vira e mexe, meu pai gosta de contar.
Aconteceu quando ainda eu e minha irmã éramos muito pequenas, numa dessas viagens.
Saímos do Recife ainda no meio da noite. Naquela época, meus pais dirigiam para Ouricuri, alternando à direção entre um e o outro.
Meu pai dirigiu boa parte da estrada. Depois minha mãe pegou a direção, e foi a vez dele descançar. Diz ele que mesmo cansado, não conseguiu dormir, por conta de não querer deixar a minha mãe sozinha atrás do volante. Então ele baixou o assento do carro para ficar numa posição mais confortável, e ficou entre um cochilo e outro, sempre de olho na estrada.
Eu e minha irmã íamos deitadas no assento traseiro, dormindo o sono inocente das crianças.

Em um determinado ponto, um carro ultrapassa o nosso. Daí, diminui a velocidade e faz um sinal, que minha mãe não entendeu, ou ignorou. Minha mãe ultrapassa o carro, e segue viagem. Daqui a mais alguns minutos, o carro volta, e cola na trazeira do nosso carro. Minha mãe continua firme no volante, sem entender muito bem o que se passa. O breu da noite ainda é grande, e além dos dois carros, não há mais nenhum outro na estrada. A região é de Serra Talhada, aonde de um lado é montanha, do outro é abismo.
O carro ultrapassa o nosso novamente, e faz um sinal. Meu pai que até então vem observando, pergunta:

-Edilza, esse carro fez sinal mandando parar, ou foi impressão minha?
-Não, acho que ele está querendo que eu pare!

Agora veja bem esta situação: A noite é escura, no meio de uma estrada deserta. Lá está a minha mãe, na época ainda jóvem, nos seus 30 e poucos anos, ao volante do nosso carro. O outro carro, levava dois homens de aparência suspeita. Meu pai, um homem inteligente deduziu que, como ele tinha este tempo todo o assento reclinado, provavelmente os dois homens só viram a minha mãe, pensaram que ela estava sozinha.. Agora eles tentavam fazê-la parar o carro.. A intenção, provavelmente não era das melhores. Tá sacando o drama?
Meu pai teve que pensar rápido. Falou para minha mãe:

- Se eles fizerem sinal mandando você parar novamente, eu não quero que você acelere - o penhasco de um dos lados da estrada oferecia grande risco neste caso - Você vai parar o carro, mas eu quero que você alinhe a minha porta (do lado do passageiro) com a porta do motorista, lado a lado. - E agachou-se, abrindo o porta-luva do carro para pegar seu 38, que sempre carregou consigo nessas viagens. Como um bom fazendeiro, meu pai sempre teve boa pontaria, e bom manejamento de arma, especialmente espingarda, por causa das caçadas pelas terras da Fazenda.

Minha mãe gelou, mas diante da situação, viu que não havia outra alternativa. Nessas horas a gente faz o que tem que ser feito para se defender, e estava em jogo não somente a segurança deles dois, mas como a nossa, minha irmã e eu, que dormíamos no banco de tráz, alheias a tudo.
Meu pai pegou o revólver, mas não conseguiu encontrar as balas. Minha mãe havia colocado a caixinha com balas em um outro lugar, longe do revólver, atitude que agora pareceu burrice.
Meu pai não teve tempo para procurá-la, e tinha que agir rápido, já que o outro carro estava de volta a fazer sinal de luz mandando a minha mãe parar.
Instruída pelo meu pai, ela fez como ele falou, e parou o carro assim, porta do meu pai com a porta do motorista.
Meu pai, para surpresa dos dois homens do outro carro, já abriu a porta com revólver em punho, na cara do motorista. Diz ele que o homem embraqueceu. O outro, virou a cara para o outro lado. No melhor estilo filme de Hollywood, com a vida imitando a arte:

- Tá querendo o que, companheiro?- Perguntou meu pai. O homem, gaguejando e empalidecido foi dizendo que só tinha parado para pedir um cigarro.
- Pedir um cigarro? PEDIR UM CIGARRO? No meio da madrugada? Numa estrada deserta? Forçando a pessoa a parar o carro? Não acha um absurdo isso não? - e o homem lá, cheio de "mas-mas".. Meu pai continuou:
- Aqui ninguém tem cigarro. Vá tratando de entrar no seu carro e se mandar, antes que eu coloque "um cigarro" na sua cara agorinha mesmo! - Eita cabra macho esse meu pai. Sempre foi assim!

Daí o homem volta pro seu carro e se manda. E meus pais ficam alí ainda por alguns minutos tentando acalmar os nervos. Passado o ocorrido, minha mãe desata a chorar, e muito trêmula não tem mais condições de dirigir. Meu pai então, pega a direção de volta e vai dirigindo até encontrar um Posto da Polícia Rodoviária, aonde dar parte do incidente. Os policiais reconhecem a descrição do carro, e diz que um carro assim-assado parou ali naquele "restaurante de beira de estrada". Meu pai vai lá pra conferir, e fazer reconhecimento. E dito e feito, os dois homens estão lá, sentados numa mesa. Eles também reconhecem o meu pai na horinha, e um deles coloca a mão na cintura, indicando que também tem uma arma, e agora está preparado. Meu pai não faz ou diz nada, só volta ao Posto Policial para afirmar que a descrição dos policiais confere. Mas aí, os policiais dizem ao meu pai que não podem fazer nada, já que não houve nada, e na verdade foi meu pai quem apontou a arma para os caras, então neste caso, não existe muito o que fazer. Meus pais, muito frustrados, resolvem seguir viagem, mas meu pai segue satisfeito que fez o que precisava ter feito para proteger sua família na hora do perigo.
O dia já está amanhecendo, e logo estaremos em Ouricuri.

Como o diz o velho ditado; o segredo é de fato a alma do negócio. Está aí meu pai, com um revolver sem bala, pra confirmar isso. Apenas ele e minha mãe sabiam deste fato. O que diriam aqueles dois caras se soubessem deste pequenino detalhe?

Estória verídica!

quinta-feira, junho 02, 2005

Esta semana, o Blog Pensar Enlouquece deu uma dica de leitura que eu achei simplesmente fantástica. Então, é claro, vou ter que repassá-la aqui.


A Revista americana Wave, na onda da Febre de Star Wars causada pelo novo filme da série, escreveu um review à respeito do filme "Os Trapalhões na Guerra dos Planetas", que primeiro, é de rolar no chão de tanto rir, segundo, deixa o cidadão matutando por dias aonde diabos eles foram encontrar uma versão legendada em inglês de tal filme, e terceiro, por que alguém que não cresceu no Brasil assistindo Os Trapalhões se interessaria em vê-lo?...

O review do filme é todinho em inglês, e mesmo se alguém aqui não dominar a língua, mas souber pelo menos um pouquinho, vale à pena investir um tempinho nesta leitura. Especialmente, os idosos como eu, que passaram pela experiência de assistir Os Trapalhões na Guerra dos Planetas quando ainda estava em cartaz no cinema, em 1978. Eu lembro que a minha avó me levou para assistí-lo, juntamente com a minha irmã, e alguns dos meus primos!

Para total deleite, clicar aqui
Mais interessante ainda, foi que enquanto pesquisando, acabei achando este outro review - Film Threat - o que me deixou ainda mais encafifada, pensando, depois de tanto tempo, o que fez os americanos atinar para este filme?

Algumas das minhas partes favoritas do review da Wave Magazine, traduzidas aqui;



"No Brasil, eles mantiveram Star Wars mais ou menos do mesmo jeitinho, apenas jogaram uns 4 idiotas da Terra na mistura"

"Existe uma leve barreira entre os idiomas, já que o filme é em Português, língua que eu não falo, e as legendas são em Inglês, língua que a pessoa que legendou não fala."

"Apesar de oficialmente retardado, o filme perde completamente seu focus depois da cena da cantina. Na procura por Zuco, os trapalhões encontram perigos diversos, tipo - homens invisíveis, frutas voadoras, uma tarântula gigante, e um filhote de homem-pássaro! Cada problema é resolvido da mesma maneira - pânico primeiro, depois correndo na direção oposta ao inimigo."

"Os Trapalhões na Guerra Dos Planetas veio nos mostrar como é grande a barreira na comédia entre o povo da América do Norte e o povo da América do Sul. Enquanto nós preferimos ver pessoas fazendo sexo com tortas, a maior parte das piadas no Brasil parece consistir de pessoas dançando quando normalmente não deveriam dançar, ou atacando alguém fisicamente. Mas mesmo considerando a enorme diferença na comédia da nossa cultura, depois de dois filmes estrelando Jar Jar Binks, eu ainda digo que os Brasileiros são mais engracados que George Lucas."



O DVD. Quem souber aonde encontrar esta pérola por aqui, por favor, me diga!


D E M A I S !!!

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