Estávamos dirigindo de casa ao trabalho e Paul diz que precisa correr rapidinho no supermercado só pra comprar uma coisinha. Eu pensei "o supermercado fica no caminho" e sendo só uma coisinha, não vamos gastar muito tempo.
Pensei errado! Ele ficou lá um tempão! Quando entrou no carro, eu perguntei
"Demorou tanto, por quê?" E ele muito irritado, disse que só tinha uma pessoa trabalhando na registradora, com todo o resto do supermercado aparentemente às moscas. E a fila ficou longa. Daí eu pensei, porque ele não usou a registradora automática. Mas resolvi não perguntar. É que da última vez que Paul tentou usar uma daquelas máquinas, virou uma verdadeira comoção, com o supermercado inteirinho olhando.
Foi assim. A algumas semanas atrás, Paul foi ao supermercado com Paulzinho para comprar material para fazer uma salada de verduras. Colocou Paulzinho no carrinho, sentado naquela parte da frente, e lá foram os dois às compras.
Na hora de pagar, as filas estavam longas, e ele só tinha pouca coisa, então notou que as 4 registradoras que ficavam lá pertinho da saida eram automáticas. Ou seja, você faz tudo sozinho (escaneia os produtos, paga, e empacota) sem nenhum funcionário para ajudar. Modernidades do Primeiro Mundo! E Paul resolveu tentar.
De começo tudo estava indo 100%. Você escaneia os produtos, a registradora vai conversando com você no processo:
BIP (Barulho de scanner) e a registradora vai falando "
Tomates- $2.00! Favor empacotar os tomates!" ....
Próximo ítem:
BIP.. "Pepino - $2.oo! Favor empacotar os pepinos"...La-la-la!!! Pensou ele "
isso é fácil" Até que em um determinado momento a máquina encasquetou:
"
Atenção, produto não identificado na área de empacotamento! Favor retirar produto não identificado do pacote!....WARNING! WARNING!!!!!!" "
O que? O que fiz errado?" Paul ficou confuso. Nao tinha colocado nada que não tivesse passado pelo scanner no pacote.
Você vê, as registradoras automáticas são programadas contra furto. Se você vê aquela máquina sozinha lá, dando sopa, ninguém pra controlar, e baixar a tentação de surrupiar um produto ou dois sem pagar, pode ir tirando o cavalinho da chuva, pois a medida que você vai escaneando os produtos e embalando, a embalagem senta tipo numa balança que vai pesando as coisas de acordo com o que você escaneou. Se de repente a sacola ficou um pouquinho mais pesada e você não escaneou um produto novo, isso quer dizer que você tentou embalar algo sem registrar, não é? Ora, ora, acontece que a teoria é linda, mas na prática não funciona bem assim. A máquina falha, e falha feio! E faz você pagar o maior mico na frente de todo mundo. Porque enquanto ela se comunica com você durante o processo inteiro, ela também acusa você de roubo com voz nas alturas.. E para quem lembra do episódio de quando Paul perdeu a aliança (se não lembra, ou não leu,
clique aqui), não precisa muito para confundi-lo, deixá-lo aturdido, sem saber o que fazer. E lá estava ele, sem entender o que estava acontecendo, com a registradora acusando ele de roubo praticamente. E olha para um lado e olha para o outro. O supermercado cheinho de gente. O povo curioso já começa a olhar das filas paralelas. Mas nenhum funcionário se aproxima.
Sem saber o que fazer, ele começa a remover os produtos da embalagem para tentar contá-los e ver se descobre o que está errado. Foi pior, pois a máquina começa acusar que ele está removendo os produtos.. Dai ele retira o pacote do lugar para verificar, e fica pior ainda, pois máquina começa a dizer "FAVOR RETORNAR EMBALAGEM PARA O LUGAR! EMBALAGEM FORA DO LUGAR! FAVOR RETORNAR EMBALAGEM!!!!WARNING, WARNING!!!!!"
Tadinho! Ele estava nesta confusão, pensando que as coisas não poderiam piorar. Pois é, as coisas pioraram! Paulzinho, que até então se encontrava sentadinho naquela parte da frente do carrinho de compras, enfiou o dedo por entre o gradeado do carrinho e o dedo ficou preso. O menino começa a gritar e a chorar! Paul joga a embalagem de volta, e vai acudir Paulzinho. O dedo do menino está lá enfiado que não sai de jeito nenhum.
Agora Paulzinho grita de um lado, e a registradora acusa do outro. Os dois, ao mesmo tempo... "MEU DEDO! MEU DEDO!!!!........WARNING! WARNING!"
Se eu bem conheço Paul, eu quase posso vê-lo a correr de um lado para o outro, feito cego em tiroteio (como os cabras da peia dizem lá no Sertão de Pernambuco).
Esta situação continuou por uns minutos que pareceram uma eternidade. O dedo de Paulzinho não saía, e o menino chorava ainda mais. Paul estava já prestes a ligar para 911, pois talvêz fosse preciso que a polícia, ou bombeiro, ou alguém viesse para quebrar o carrinho e livrar o dedo do menino. Foi nesta hora que uma funcionária resolveu aparecer para ajudar. Ela vê que Paulzinho está com o dedinho enganchado e vai buscar um creme ou loção para passar no dedo dele. O que fez com que o dedo dele deslizasse mais facinho do carrinho. Pronto, um problema solucionado, apesar de que o pobrezinho ainda chorava, com o dedinho vermelho.
Daí a funcionária passa para o outro problema, que é solucionar o que está de errado com a registradora, que continua lá, enlouquecida, gritando aos 4 ventos.
Paul disse que ela nem pestanejou. Retirou uma chave do bolso, enfiou na máquina, depois digitou uma senha. E pronto. Aaaaaaaaahhhh! Alívio!
Irritadíssimo, Paul teve que perguntar porque a máquina tinha feito isso.
"Ah, estas máquinas nunca funcionam direito. Isto acontece a toda hora!" Foi a resposta.
E Paul pensou que esta foi a primeira e última vez que ele usaria uma dessas
"So much for the First World conviniences!"